Nordeste respondeu por 27% dos novos postos de trabalho criados no Brasil em 2025

O contraste com o Sudeste, que registrou queda expressiva no ritmo de geração de empregos, reforça a leitura de que o Nordeste apresentou maior resiliência econômica ao longo de 2025, mesmo sem liderar em números absolutos.
Empregos no Nordeste crescem em 2025 e superam desempenho de regiões mais ricas
Atividades de alojamento e alimentação criaram mais de 23 mil novos postos de trabalho em 2025 no País. (FOTO: Tibico Brasil)

Resumo da Notícia

Enquanto o Brasil encerrou 2025 com sinais claros de desaceleração na geração de empregos formais, o Nordeste seguiu na contramão do ritmo nacional e consolidou um dos desempenhos mais relevantes do País.

A região fechou o ano com 347.940 novos postos de trabalho, resultado que corresponde a 27,2% de todo o saldo brasileiro, mesmo sem liderar em números absolutos. O dado não é apenas expressivo: ele revela uma dinâmica econômica regional mais resiliente, capaz de sustentar crescimento mesmo em um cenário de retração em outras partes do país.

O saldo nordestino resulta de 3.762.087 admissões entre janeiro e dezembro, frente a 3.414.147 desligamentos, considerando exclusivamente empregos formais. O levantamento integra os registros do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e foi analisado pelo Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), vinculado ao Banco do Nordeste (BNB). Na comparação com 2024, o avanço chama ainda mais atenção: houve crescimento de 6,3% no saldo de empregos da região, em um ano marcado por retração no ritmo nacional.

Nordeste cresce enquanto outras regiões desaceleram

O desempenho nordestino ganha peso quando comparado ao restante do país. O Sudeste, apesar de manter o maior saldo absoluto, com 504.972 novos postos, apresentou uma queda de 34,5% em relação ao saldo de 2024. Já o resultado nacional fechou 2025 com 1,27 milhão de novos empregos formais, o que representa diminuição de 23,7% frente ao ano anterior.

Para a pesquisadora do Etene, Hellen Cristina Rodrigues Saraiva Leão, o contraste evidencia uma mudança relevante no mapa econômico brasileiro. Os dados apresentados trazem um panorama muito positivo para o Nordeste no cenário econômico de 2025, especialmente quando contrastados com a desaceleração observada em outras regiões, como o Sudeste, avalia. A leitura reforça a percepção de que o crescimento nordestino não foi pontual, mas sustentado por fatores estruturais.

Dentro do Nordeste, os estados apresentaram desempenhos distintos, mas todos fecharam o ano com mais admissões do que desligamentos. No Ceará, o saldo registrado em 2025 foi de 49 mil novos postos de trabalho, mantendo a sequência positiva dos últimos anos. Ainda assim, o ritmo desacelerou: o estado registrou queda de 11% em relação ao saldo obtido em 2024.

Mesmo com essa redução, alguns setores se destacaram. Serviços lideraram, com 22.255 vagas, seguidos por Comércio (+9.509) e Construção (+9.486). O conjunto dos dados indica que, mesmo em um cenário de ajuste, o mercado de trabalho cearense conseguiu preservar dinamismo, especialmente em atividades ligadas ao consumo e à infraestrutura.

Serviços sustentam a geração de empregos no Nordeste

O grande motor da economia regional em 2025 foi o setor de serviços, responsável por 192.807 novas vagas, o equivalente a mais da metade de todo o saldo nordestino. Dentro desse segmento, algumas atividades tiveram papel decisivo. Os serviços de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas abriram 84.795 postos, seguidos pela saúde humana (+34.077) e pelo setor de alojamento e alimentação (+23.084).

Na avaliação de Hellen Cristina Rodrigues Saraiva Leão, o desempenho sugere que o Nordeste vive um ritmo de aceleração diferenciado, mesmo em um ano em que o Brasil, como um todo, reduziu o passo.

Em todos os estados brasileiros houve mais admissões do que demissões, embora alguns desses saldos tenham sido menores do que em 2024. No caso do Nordeste, houve crescimento, destaca. Para a pesquisadora, fatores como investimentos em infraestrutura, expansão dos serviços e fortalecimento do mercado interno ajudam a explicar a resiliência regional.

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