Número de presos por fraude no concurso da Polícia Penal do RN sobe para 12
Número de prisões subiu ao longo deste domingo; investigação apura uso de pontos eletrônicos e possível participação de pessoas que transmitiam respostas de fora dos locais de prova.
Resumo da Notícia
- A Polícia Civil prendeu 12 pessoas em flagrante por suspeita de fraude durante as provas do concurso da Polícia Penal do Rio Grande do Norte neste domingo (13).
- Dez prisões ocorreram em Mossoró e duas em Natal, ampliando o balanço inicial divulgado durante a operação.
- A investigação identificou indícios do uso de equipamentos eletrônicos, incluindo pontos eletrônicos, para recebimento de informações enquanto os candidatos faziam a prova.
- A Polícia Civil apura a possível participação de pessoas que estariam fora dos locais de aplicação resolvendo questões e transmitindo respostas aos candidatos.
Subiu para 12 o número de pessoas presas em flagrante por suspeita de fraude durante as provas do concurso público da Polícia Penal do Rio Grande do Norte, realizadas neste domingo (13). O balanço mais recente da operação aponta dez prisões em Mossoró e duas em Natal.
As prisões foram realizadas pela Polícia Civil com apoio da Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (Seap), por meio da Polícia Penal, e da Secretaria de Estado da Administração (Sead). O número aumentou ao longo do dia, depois de um balanço inicial apontar sete pessoas detidas.
Em Mossoró, onde se concentra a maior parte das prisões, os investigadores encontraram indícios de utilização de equipamentos eletrônicos durante o exame. Entre os dispositivos identificados estão pontos eletrônicos que teriam sido utilizados para receber informações enquanto as provas eram realizadas.
As duas prisões registradas em Natal fazem parte da mesma investigação. A Polícia Civil trabalha com a hipótese de que outras pessoas participavam do esquema fora dos locais de aplicação, resolvendo as questões e transmitindo as respostas aos candidatos por meio dos equipamentos eletrônicos.
A apuração deverá estabelecer como a comunicação funcionava, identificar os responsáveis pela eventual transmissão e verificar se outras pessoas participaram da fraude. Os 12 suspeitos foram encaminhados para os procedimentos policiais após as prisões em flagrante.
A operação ocorreu durante a aplicação de um concurso que mobilizou mais de 40 mil candidatos em diferentes regiões do estado. As provas foram realizadas em Natal, Mossoró, Caicó e Pau dos Ferros.
O certame oferece 260 vagas imediatas, sendo 200 para policial penal e 60 distribuídas entre cargos de Especialista em Assistência Penitenciária.
Crime pode ter pena de até quatro anos de prisão
As condutas investigadas podem ser enquadradas no artigo 311-A do Código Penal, que trata da utilização ou divulgação indevida de conteúdo sigiloso de concurso público com o objetivo de beneficiar o próprio agente ou terceiros, ou comprometer a credibilidade do processo seletivo.
A pena prevista na modalidade básica é de reclusão de um a quatro anos, além de multa. A eventual responsabilização dependerá da individualização da conduta de cada investigado e das provas reunidas durante o inquérito.
Os aparelhos apreendidos e os registros de comunicação deverão ser analisados para verificar se houve efetivamente transmissão de respostas e estabelecer a eventual conexão entre os candidatos presos e as pessoas que estariam do lado de fora dos locais de prova.
Não há decisão anunciada de anulação das provas
Até o balanço mais recente da operação, não havia sido anunciada decisão de cancelar ou anular as provas realizadas neste domingo. A identificação de suspeitas envolvendo candidatos específicos não provoca automaticamente a invalidação de todo o concurso.
Qualquer medida sobre o prosseguimento do certame dependerá da análise dos órgãos responsáveis e da dimensão da fraude que vier a ser comprovada pela investigação.
Pelo cronograma oficial, o gabarito preliminar e os cadernos de questões estão previstos para esta segunda-feira (14). Os candidatos poderão apresentar recursos contra o gabarito nos dias 15 e 16 de setembro.
O resultado preliminar da prova objetiva está previsto para 30 de setembro, acompanhado das folhas de respostas e do gabarito após a análise dos recursos. A investigação policial prossegue paralelamente para identificar todos os participantes do possível esquema.


