Canetas emagrecedoras podem chegar ao SUS com até 90% de desconto
Ministério da Saúde projeta orçamento de cerca de R$ 1,5 bilhão por ano para incorporar os medicamentos contra obesidade e garantir acesso gratuito à população
O Governo Federal avançou na estratégia para ampliar o acesso às chamadas canetas emagrecedoras pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério da Saúde estima que a incorporação dos medicamentos contra a obesidade poderá exigir um orçamento de aproximadamente R$ 1,5 bilhão por ano.
A expectativa da pasta é conseguir uma redução de 80% a 90% no preço de aquisição dos medicamentos pelo SUS. O cálculo considera a escala de compras do sistema público, o aumento da concorrência e a produção nacional.
Mas como os preços chegaram a esse cenário?
A estratégia começou antes do pedido de incorporação. Desde 2025, o Ministério da Saúde trabalha em conjunto com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ampliar a oferta de medicamentos da classe GLP-1, estimular novos registros e fortalecer a produção no Brasil.
Em 2026, a Anvisa acelerou a análise de novos produtos após solicitação do Ministério da Saúde. Em julho, por exemplo, a agência registrou cinco novos medicamentos à base de semaglutida. A iniciativa faz parte de uma estratégia para ampliar a concorrência e reduzir os preços.
Concorrência ajudou a reduzir preços
O resultado já aparece no mercado. Segundo o Ministério da Saúde, os preços das canetas caíram cerca de 70% em menos de 1 ano.
Em setembro, 25 canetas emagrecedoras já tinham registro no país, sendo 14 delas aprovadas em 2026. Parte dos medicamentos também passou a ser produzida nacionalmente, o que amplia a oferta e reduz a dependência de produtos importados.
A Anvisa também priorizou a análise de medicamentos com semaglutida e liraglutida após um chamamento realizado em 2025. A medida buscou aumentar a disponibilidade desses produtos e preparar o mercado para uma possível incorporação ao SUS.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, resumiu a estratégia:
“Na farmácia, o preço já está 70% mais barato. Quando você pensa na escala de compras do SUS, com produção local, isso nos traz a possibilidade de uma redução de 80% a 90% do preço. Estamos projetando que, a um custo de R$ 1,5 bilhão ao ano, a gente consegue trazer esses produtos e incorporar no SUS”.
Próximo passo é a avaliação da Conitec
O Ministério da Saúde protocolou, em 24 de setembro, um pedido para que a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) avalie a inclusão dos medicamentos.
A eventual incorporação ainda depende da análise técnica e da definição dos critérios para utilização na rede pública. A proposta considera medicamentos à base de semaglutida ou liraglutida, princípios ativos que não estão mais protegidos por patente no país.
O Ministério também conduz um estudo no Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre, para avaliar o uso da semaglutida em cerca de 250 pacientes com obesidade grave ou associada a outras doenças. A pesquisa deve ajudar na definição de como o tratamento poderá ser utilizado dentro da realidade do SUS.
Tratamento não será uma ação isolada
A proposta do Governo Federal não prevê o uso das canetas de forma isolada. A estratégia é associar o tratamento medicamentoso a outras ações de cuidado, especialmente na Atenção Primária.
O próprio Ministério destaca que as terapias com GLP-1 devem fazer parte de uma abordagem mais ampla, envolvendo alimentação saudável, atividade física e acompanhamento dos pacientes.
A orientação também está alinhada à diretriz da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o uso dessas terapias no tratamento da obesidade.
É nesse ponto que entra a Academia da Saúde.
A política, integrada à Atenção Primária, oferece atividades físicas e ações de promoção da saúde, prevenção de agravos e cuidado nos territórios. A nova estratégia prevê chegar a quase 2 mil unidades, com investimentos também na contratação de profissionais como nutricionistas, educadores físicos e fisioterapeutas.
Entre 2022 e 2025, as atividades realizadas pela Academia da Saúde passaram de 331,6 mil para 492,1 mil, crescimento de 48,5%. A política também prevê 582 novos estabelecimentos credenciados em 448 municípios, com investimento de R$ 80,7 milhões.
Padilha afirma:
“No final do ano passado, lançamos a nova portaria da Academia da Saúde, que prevê chegar a quase 2 mil unidades, com novo investimento não só para compra de equipamento, mas para a contratação de nutricionista, educador físico, fisioterapeuta. O Ministério colocou esses recursos, os municípios aderiram, a gente criou um outro ambiente no SUS para esse enfrentamento”.
Assim, a proposta em discussão combina medicação, acompanhamento profissional, atividade física, alimentação e prevenção. O objetivo é estruturar uma resposta do SUS para uma condição que, segundo o Ministério da Saúde, atingia 25,7% da população brasileira em 2024.
Importante: as canetas ainda não estão disponíveis de forma ampla no SUS. O pedido de incorporação está em análise pela Conitec, etapa necessária antes de uma eventual oferta pública.


