SUS passa a oferecer teleatendimento gratuito para tratar vício em jogos e apostas

Plataforma para casos de saúde mental é parceria com o Hospital Sírio-Libanês e deve atender até 600 pessoas ao mês.
SUS cria atendimento online para tratar vício em apostas e jogos digitais
SUS cria atendimento online para tratar vício em apostas e jogos digitais - Crédito: Pixel-Shot / Adobe Stock

Resumo da Notícia

O avanço acelerado das apostas esportivas e dos jogos digitais no Brasil levou o Sistema Único de Saúde a lançar uma nova estratégia de atendimento remoto voltada para um problema que cresce silenciosamente: o vício em jogos e apostas. O Ministério da Saúde anunciou um serviço gratuito de teleatendimento dentro do SUS, pensado justamente para alcançar pessoas que raramente procuram ajuda presencial.

A iniciativa foi desenvolvida em parceria com o Hospital Sírio-Libanês e integra a plataforma do aplicativo Meu SUS Digital, ambiente oficial de serviços digitais da saúde pública. O projeto recebeu investimento de R$ 2,5 milhões e tem capacidade estimada de atender até 600 pacientes por mês.

O objetivo central é reduzir a barreira de acesso ao tratamento. Muitos usuários que enfrentam problemas com apostas online ou jogos digitais não procuram centros de saúde por vergonha, dificuldade de deslocamento ou até por não reconhecerem a gravidade do problema. Com o novo serviço remoto, a expectativa do governo é aproximar esse público do cuidado especializado.

Segundo o Ministério da Saúde, o SUS registrou 6.157 atendimentos presenciais relacionados a jogos e apostas em 2025, um número considerado pequeno diante da expansão desse mercado no país. A criação do teleatendimento surge justamente para ampliar a rede de assistência.

Como funciona o teleatendimento do SUS para vício em apostas

O atendimento ocorre por vídeo e segue um formato estruturado. Cada consulta dura cerca de 45 minutos, e o acompanhamento pode incluir até 13 encontros por paciente, dependendo da avaliação clínica.

A equipe responsável pelo atendimento é composta por psicólogos e terapeutas ocupacionais, com possibilidade de participação de psiquiatras quando o caso exige avaliação médica especializada. O acompanhamento também pode envolver articulação com assistência social e equipes de medicina da família do território onde o paciente vive.

O serviço é aberto para pessoas com 18 anos ou mais, além de permitir acesso a familiares e integrantes da rede de apoio, que muitas vezes são os primeiros a perceber os sinais de dependência.

Outro ponto importante destacado pelo Ministério da Saúde é a proteção de dados. Todo o processo segue as regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), garantindo sigilo e privacidade das informações.

Passo a passo para agendar consulta no SUS

O acesso ao atendimento começa pela plataforma digital do SUS. O processo foi desenhado para ser simples e acessível.

O primeiro passo é instalar o aplicativo Meu SUS Digital em celulares Android ou iOS, ou acessar diretamente a versão online do serviço. Após entrar na conta utilizando o login Gov.br, o usuário deve abrir a seção “Miniapps” e selecionar a opção “Problemas com jogos de apostas?”.

Na sequência, a plataforma envia orientações iniciais pelo WhatsApp. Antes de qualquer encaminhamento, a pessoa passa por um autoteste validado por especialistas brasileiros, composto por perguntas que ajudam a avaliar o nível de risco relacionado ao comportamento de apostas.

Dependendo do resultado do questionário, o sistema pode encaminhar automaticamente o usuário para o teleatendimento com profissionais da saúde. Nos casos classificados como baixo risco, o SUS orienta a busca por atendimento presencial em Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) ou Unidades Básicas de Saúde (UBS).

Governo também aposta em estratégia de autoexclusão

Além do teleatendimento, o governo federal iniciou outras medidas para lidar com os impactos sociais do crescimento das apostas esportivas.

Uma das iniciativas é uma plataforma de autoexclusão, que permite ao próprio usuário bloquear seus dados em casas de apostas online. O objetivo é evitar recaídas durante o tratamento e impedir que a pessoa volte a acessar plataformas de jogo.

Paralelamente, uma proposta de lei que limita a publicidade de casas de apostas avança no Congresso Nacional, ampliando o debate sobre os efeitos desse mercado no Brasil.

A criação do atendimento remoto dentro do SUS mostra que o poder público começa a tratar o vício em apostas como questão de saúde pública, e não apenas como comportamento individual. Com o crescimento das plataformas digitais de apostas e a forte presença de publicidade no país, especialistas alertam que a prevenção e o tratamento precisam acompanhar a velocidade dessa expansão.

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