Resumo da Notícia
O Nordeste respondeu por 42,2% das internações relacionadas a miomas uterinos registradas no Brasil entre 2019 e 2023, período em que o país contabilizou 409.502 hospitalizações associadas à condição. Os dados aparecem em estudo publicado em junho deste ano na Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação e reforçam o peso que uma alteração ginecológica geralmente benigna pode assumir quando provoca sintomas importantes.
O levantamento aponta ainda crescimento de 32% nas internações por mioma ao longo dos cinco anos analisados. O percentual de 42,2% significa que o Nordeste concentrou a maior parcela das hospitalizações registradas no período; não significa, isoladamente, que 42,2% das mulheres nordestinas tenham mioma.
Conhecidos também como leiomiomas uterinos, os miomas se formam a partir do tecido do útero e podem variar consideravelmente em tamanho, quantidade e localização. Essa diferença ajuda a explicar por que duas mulheres com o mesmo diagnóstico podem apresentar quadros completamente distintos: enquanto uma pode conviver com o mioma sem sintomas relevantes, outra pode ter sangramento intenso, dor e repercussões sobre a fertilidade.
Em entrevista ao Portal N10, o ginecologista Robinson Dias de Medeiros, presidente da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Rio Grande do Norte (Sogorn), explica que a simples identificação de um mioma não significa indicação automática de cirurgia.
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“Os miomas podem apresentar diferentes tamanhos e localizações dentro do útero. Essa característica é importante porque, mesmo relativamente pequeno, dependendo de onde está localizado, ele pode provocar sintomas. Por isso, a necessidade cirúrgica precisa ser avaliada caso a caso”, explica o ginecologista.
Sintomas ajudam a definir quando procurar avaliação
Uma das principais dificuldades está justamente em saber quando uma alteração menstrual ou uma dor pélvica merece investigação mais aprofundada. Segundo Robinson Dias, alguns sinais devem levar a mulher a procurar avaliação ginecológica, principalmente quando começam a interferir na rotina ou se tornam persistentes.
Entre eles estão sangramento menstrual muito intenso, menstruação prolongada, dor pélvica persistente, sensação de pressão ou aumento do volume abdominal, alterações urinárias ou intestinais e dificuldades relacionadas à fertilidade.
A intensidade dos sintomas não depende apenas do tamanho do mioma. A posição que ele ocupa no útero pode influenciar diretamente as manifestações clínicas, razão pela qual a avaliação precisa considerar as características individuais de cada paciente.
O diagnóstico também não significa necessariamente que haverá intervenção imediata. Mulheres que não apresentam sintomas ou que possuem manifestações leves, sem prejuízo relevante à qualidade de vida, podem permanecer apenas em acompanhamento médico.
Nesses casos, a conduta pode envolver consultas e exames periódicos para observar se há crescimento dos miomas ou mudança no quadro clínico.
Tratamento não significa necessariamente retirar o útero
A escolha do tratamento depende de uma combinação de fatores. Além dos sintomas, entram nessa avaliação a quantidade, o tamanho e a localização dos miomas, a idade da paciente e o desejo de engravidar no futuro.
Isso significa que não existe uma única conduta aplicável a todas as mulheres. Dependendo do caso, o tratamento pode variar do acompanhamento clínico ao uso de medicamentos, procedimentos menos invasivos ou cirurgia.
A própria estrutura assistencial para investigar alterações uterinas vem sendo ampliada no Rio Grande do Norte. Em Mossoró, por exemplo, uma parceria entre a Uern e o Hospital da Mulher foi criada para reduzir a fila de histeroscopias, exame utilizado, entre outras indicações ginecológicas, na avaliação de determinados tipos de mioma.
O presidente da Sogorn ressalta que a decisão deve partir das características do quadro e dos objetivos reprodutivos de cada mulher.
“A intervenção médica, quando necessária, pode variar conforme as características do mioma e da paciente, podendo envolver medicamentos, procedimentos minimamente invasivos ou cirurgia. A escolha deve considerar, entre outros aspectos, os sintomas, a localização e o tamanho dos miomas, a idade e os planos de gravidez”, afirma Robinson Dias.
Por isso, a presença de um mioma em um exame de rotina, sem sintomas importantes, não deve ser interpretada automaticamente como indicação cirúrgica. Da mesma forma, sintomas persistentes não devem ser normalizados apenas por estarem associados ao período menstrual.
O acompanhamento ginecológico permite avaliar a evolução do quadro e definir a estratégia adequada caso os sintomas apareçam, aumentem ou passem a comprometer a qualidade de vida da paciente.
