Governo cria auxílio inédito para transporte e hospedagem de pacientes com câncer

Atualmente, quem precisa desses serviços percorre em média 145 km para ser atendido. Novo benefício integra pacote de medidas do programa Agora Tem Especialistas.
Pacientes com câncer terão ajuda de custo e novos centros de radioterapia pelo país
Foto: Walterson Rosa/MS

Resumo da Notícia

  • Auxílio nacional para pacientes oncológicos: O novo benefício garante transporte, alimentação e hospedagem a pacientes e acompanhantes, fortalecendo o tratamento oncológico e reduzindo o abandono de radioterapia por dificuldades financeiras.
  • Expansão dos serviços de radioterapia: O investimento adicional de R$ 156 milhões permitirá ampliar o número de atendimentos, aumentando a produtividade e estimulando o uso pleno dos aceleradores lineares em todo o país.
  • Financiamento por desempenho: O novo modelo premia unidades mais produtivas, assegurando mais recursos aos serviços que tratam mais pacientes, fortalecendo a eficiência e a capacidade de atendimento no SUS.
  • Medicamentos oncológicos garantidos: A AF-Onco assegura custeio federal de 100% dos medicamentos para câncer, reduzindo preços, ampliando acesso e garantindo tratamento contínuo aos pacientes da rede pública.
  • Formação e infraestrutura: O programa Agora Tem Especialistas investe R$ 2,4 bilhões na formação médica e entrega de novos aceleradores, expandindo o alcance e a qualidade do atendimento oncológico no Brasil.
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O Governo federal anunciou um novo auxílio para pacientes que precisam se deslocar para realizar tratamentos de radioterapia longe de casa. A iniciativa, lançada pelo Ministério da Saúde, garante apoio financeiro para transporte, alimentação e hospedagem, reduzindo as dificuldades enfrentadas por quem busca o tratamento oncológico fora da sua região.

Atualmente, pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) percorrem, em média, 145 quilômetros até o local do tratamento. Com o novo programa, cada paciente e seu acompanhante terão direito a R$ 150 para alimentação e hospedagem e R$ 150 por trajeto.

O objetivo é assegurar que nenhum paciente abandone o tratamento por falta de recursos para se deslocar ou se hospedar.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que a medida representa um marco na história do SUS.

Estamos fazendo o maior Outubro Rosa da história dos 35 anos do SUS. Quando lançamos o programa Agora Tem Especialistas, com o presidente Lula, estabelecemos o desafio de construir a maior rede pública de prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer, e estou convencido de que vamos conseguir. Vamos consolidar a rede pública e privada para assegurar um serviço integral aos pacientes”, afirmou.

Já o secretário de Atenção Especializada à Saúde, Mozart Salles, reforçou o impacto social do novo auxílio.

Esse benefício representa um alívio no custo das famílias, reduz barreiras geográficas, diminui o abandono e os atrasos no tratamento, e garante melhores condições de acesso para pacientes que vivem em regiões rurais.”

Reforço no programa Agora Tem Especialistas

O benefício faz parte do programa Agora Tem Especialistas, que amplia a oferta de serviços oncológicos no país. O Ministério da Saúde destinará R$ 156 milhões adicionais por ano para expandir o atendimento em radioterapia, o que permitirá tratar até 60 novos pacientes por serviço, elevando o repasse federal total para R$ 907 milhões anuais — um crescimento de 20,7%.

Além disso, foi criada a Assistência Farmacêutica Oncológica (AF-Onco), que garante custeio federal de 100% dos medicamentos oncológicos no SUS, fortalecendo o tratamento completo do paciente com câncer.

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Com a nova portaria, o financiamento da radioterapia passará a depender do número de pacientes atendidos. Quanto mais pessoas tratadas, mais recursos serão repassados por meio do Fundo de Ações Estratégicas e Compensação (FAEC). Antes, o custeio era feito por um valor fixo mensal, via Teto MAC.

A mudança visa aumentar o aproveitamento dos aceleradores lineares — equipamentos que realizam as sessões de radioterapia. Cada máquina pode atender até 60 novos pacientes por mês. Os serviços com maior produtividade serão recompensados:

  • +10% por atender entre 40 e 50 novos pacientes;
  • +20% entre 50 e 60;
  • +30% acima de 60.

Parceria com o setor privado

O programa também mobiliza o setor privado para ampliar o acesso ao tratamento. Hospitais com e sem fins lucrativos poderão atender pacientes do SUS, desde que reservem 30% da capacidade instalada ao sistema público por pelo menos três anos.

A AF-Onco também amplia o acesso a medicamentos modernos, com previsão de redução de preços em até 60% por meio de negociações nacionais. O investimento em remédios oncológicos cresceu de R$ 3 bilhões em 2022 para R$ 4,8 bilhões em 2024 — um aumento de 60%.

O secretário-executivo Adriano Massuda destacou a importância da reorganização do sistema:

Essas portarias reorganizam não apenas o financiamento, mas toda a lógica de cuidado ao paciente com câncer, conectando a atenção básica, a atenção especializada e todos os pontos da rede.”

O novo formato centraliza compras, aumenta a transparência e permite que estados e municípios sejam reembolsados em até 80% por demandas judiciais durante o período de transição. Também estão sendo criados centros regionais de diluição de medicamentos oncológicos, que reduzem desperdícios e ampliam o acesso.

Expansão da rede e formação de especialistas

Com investimento anual de R$ 2,4 bilhões, o programa Agora Tem Especialistas forma 3 mil novos médicos, amplia o uso de telessaúde e implanta o Programa Nacional de Navegação do Paciente, que acompanha individualmente os casos, melhorando a adesão ao tratamento.

O Ministério da Saúde já entregou 11 aceleradores lineares e destinou R$ 134 milhões do Pronon para aquisição de outros 13. Até 2026, o país terá 121 novos aceleradores, garantindo tratamento a mais de 84,7 mil pacientes por ano.

Atualmente, o SUS possui 369 equipamentos, que realizaram 180,6 mil procedimentos em 2024, um aumento de 16,1% em relação a 2022.

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