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Saúde Pública

El Niño coloca Brasil em janela de atenção até março de 2027; veja ações do SUS por região

Medidas incluem bases da Força Nacional do SUS, monitoramento climático, protocolos assistenciais e reforço da infraestrutura. Estratégia considera diferenças climáticas e vulnerabilidades de Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul.

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O Ministério da Saúde prepara uma estratégia nacional para enfrentar os possíveis impactos do El Niño sobre a saúde da população. A previsão apresentada pela pasta durante a coletiva realizada na tarde desta quarta-feira (16), aponta uma janela crítica entre outubro de 2026 e março de 2027, com riscos diferentes de acordo com a região brasileira.

Por isso, a preparação do Sistema Único de Saúde (SUS) foi organizada de forma territorial. A definição das prioridades considera as previsões climáticas, o histórico de secas, estiagens, queimadas, ondas de calor, chuvas intensas e inundações, além das vulnerabilidades da população e da capacidade de resposta dos serviços.

Entre os problemas de saúde que podem ser potencializados em diferentes áreas estão dengue e chikungunya, doenças respiratórias e cardiovasculares, problemas relacionados ao calor, doenças transmitidas pela água e pelos alimentos, acidentes, agravamento de doenças crônicas e impactos psicossociais.

Reprodução – Apresentação do Ministério da Saúde

Nordeste terá atenção especial para seca e calor

No Nordeste, o foco está principalmente na estiagem severa e no calor extremo. Entre os riscos apontados estão insegurança hídrica, doenças relacionadas à água, desnutrição, problemas cardiorrespiratórios e aumento da proliferação da dengue.
Para enfrentar esse cenário, o Ministério da Saúde prevê bases da Força Nacional do SUS em Salvador, Recife e Fortaleza, além de Centros de Informação em Saúde e Clima em Salvador e Fortaleza.

Também estão previstas ações como envio antecipado de medicamentos, Mapa de Calor Extremo e criação de zonas de resfriamento nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). O planejamento inclui ainda 968 UBS resilientes, 1,7 mil novas ambulâncias, 77 soluções de água potável em áreas indígenas e 18,7 mil cisternas no semiárido.

Norte enfrenta seca, queimadas e redução das chuvas

Na Região Norte, a preocupação envolve seca severa, estiagem prolongada, redução das chuvas e maior risco de queimadas.
A resposta prevê bases da Força Nacional do SUS em Porto Velho, Manaus e Belém, além de Centros de Informação em Saúde e Clima em Santarém e Belém. O plano também contempla cinco Centros Saúde e Clima Amazônia, coordenados pela Fiocruz, além de Mapa de Calor Extremo, pontos de hidratação e protocolos específicos na rede.

A estratégia está relacionada ainda à ampliação da infraestrutura do SUS na Amazônia. Entre os investimentos apresentados estão 273 UBS resilientes, 377 novas ambulâncias e 587 soluções de água potável em áreas indígenas.

Centro-Oeste terá atenção para calor e incêndios

No Centro-Oeste, o cenário considerado é de ausência de chuvas, calor intenso, estiagem e risco de incêndios florestais.
O Ministério da Saúde prevê o uso do painel de poluição atmosférica e saúde humana, o VigiAr, além de informes sobre queimadas. A Força Nacional do SUS terá bases em Campo Grande e Brasília, enquanto Cuiabá contará com um Centro de Informação em Saúde e Clima.

Entre os principais riscos estão estresse térmico, problemas cardiorrespiratórios provocados pela fumaça, acidentes durante o combate ao fogo e dificuldade de acesso à água potável.

Sudeste terá foco em calor e temporais

No Sudeste, a previsão é de temperaturas acima da média, com ondas de calor e temporais em períodos específicos.

A preparação inclui uma base da Força Nacional do SUS no Rio de Janeiro, Centro de Informação em Saúde e Clima em Belo Horizonte, Mapa de Calor Extremo, zonas de resfriamento e pontos de hidratação.

A rede assistencial também deverá trabalhar com protocolos específicos diante do risco de estresse térmico, sobrecarga cardíaca e respiratória, maior pressão sobre UTIs e transmissão da dengue.

Sul terá prioridade para chuvas e inundações

Já no Sul, o principal cenário de atenção é diferente. A expectativa apresentada pelo Ministério da Saúde é de maior probabilidade de chuvas intensas, temporais e inundações, especialmente durante a primavera.

A região contará com base da Força Nacional do SUS em Porto Alegre, Centros de Informação em Saúde e Clima em Porto Alegre e Curitiba e um Plano de Contingência para Chuvas Intensas.
Também estão previstas linhas de cuidado em saúde mental após desastres, emissão de alertas e boletins e qualificação das equipes. Entre os riscos estão afogamentos, ferimentos, leptospirose, doenças provocadas por água contaminada, interrupção de medicamentos e agravamento de condições crônicas.

Estratégia nacional

Além das medidas regionais, o Ministério da Saúde prevê a expansão da Força Nacional do SUS para nove bases regionais em 2026, abrangendo as cinco regiões brasileiras. A meta apresentada é permitir resposta em até 12 horas em emergências de saúde. As primeiras três bases foram abertas no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Bahia.

A pasta também estrutura 13 Centros de Informação em Saúde e Clima, distribuídos pelas cinco regiões, para antecipar riscos e orientar a resposta antes da ocorrência de emergências.
A estratégia inclui ainda o monitoramento da qualidade do ar e da fumaça de queimadas pelo VigiAr, da qualidade da água para consumo humano pelo VigiÁgua e dos riscos de desastres pelo VigiDesastres. O Painel Nacional de Excesso de Calor prevê alertas com até cinco dias de antecedência e previsões de risco para todos os municípios.

No planejamento mais amplo, o programa AdaptaSUS prevê R$ 9,8 bilhões em investimentos para resiliência climática até 2035, com 27 metas e 93 ações voltadas à preparação do sistema de saúde e à proteção de populações vulneráveis.

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Hiago Luis
Sobre o autor

Hiago Luis

Redator

Com mais de dez anos de experiência na comunicação, reúne atuação em assessoria, jornalismo impresso, radiojornalismo, produção e reportagem em televisão. Foi assessor de comunicação do Sinmed-RN, além de ter estagiado nas assessorias do…

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