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SUS amplia tratamento para compulsão por apostas; saiba como acessar pelo celular

O acesso é gratuito e começa pelo Meu SUS Digital, utilizando a conta Gov.br. Dentro do aplicativo, o usuário encontra uma área específica para saúde mental relacionada às apostas e pode realizar um autoteste antes de solicitar atendimento.
Sistema Único de Saúde (SUS)
Sistema Único de Saúde (SUS)

Resumo da Notícia

  • O Ministério da Saúde ampliou para 100 mil a capacidade de teleatendimentos mensais em saúde mental para pessoas com compulsão por apostas.
  • O serviço é acessado pelo aplicativo Meu SUS Digital, utilizando a conta Gov.br, e inclui um autoteste de triagem.
  • O atendimento é voltado tanto para o jogador quanto para familiares que buscam orientação sobre como lidar com o problema.
  • As consultas são realizadas por videochamada com duração de 50 minutos, podendo ser encaminhadas para a rede presencial do SUS conforme a necessidade.
  • O governo também reforça a ferramenta de autoexclusão, que impede o uso do CPF em plataformas de apostas regulamentadas.

O Sistema Único de Saúde passou a oferecer capacidade para realizar até 100 mil teleatendimentos mensais em saúde mental destinados a pessoas que enfrentam dificuldades relacionadas a jogos e apostas.

O serviço pode ser solicitado diretamente pelo Meu SUS Digital e também oferece orientação a familiares de pessoas que apresentam perda de controle sobre as apostas.

A ampliação representa uma mudança expressiva em relação ao início do atendimento. O serviço começou em março com capacidade para aproximadamente 600 consultas por mês, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, em parceria com o Hospital Sírio-Libanês.

Com o aumento da procura, a estrutura foi ampliada. Agora, o fluxo também envolve a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS, a AgSUS.

Segundo o Ministério da Saúde, a proposta é facilitar o acesso principalmente para pessoas que têm dificuldade de procurar uma unidade presencial por vergonha, receio de julgamento ou estigma relacionado ao problema.

Muitas vezes, as pessoas não procuram ajuda por vergonha ou estigma. Com o autoteste e o teleatendimento, elas podem identificar sinais de risco e se sentir mais à vontade fazendo esse atendimento em casa, pelo celular”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Como pedir atendimento pelo Meu SUS Digital

O processo começa pelo aplicativo Meu SUS Digital e exige uma conta Gov.br.

Depois de entrar no aplicativo, o usuário deverá:

  1. acessar a área “Miniapps”;
  2. procurar a opção “Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Quem Aposta”;
  3. realizar o autoteste disponibilizado pelo Ministério da Saúde;
  4. seguir para a plataforma de atendimento indicada pelo sistema;
  5. aceitar o Termo de Uso;
  6. responder ao formulário inicial sobre sua situação;
  7. preencher os dados cadastrais;
  8. informar se procura atendimento para si próprio ou para um familiar;
  9. escolher a forma de contato;
  10. concluir a solicitação.

Depois do envio, o sistema gera um número de protocolo, que poderá ser utilizado para acompanhar o pedido.

Quando a consulta for agendada, o usuário receberá a confirmação do horário e as orientações necessárias para participar da videochamada.

Também serão enviados lembretes e informações sobre os equipamentos necessários para o atendimento remoto.

Quanto tempo dura o atendimento?

As consultas psicológicas são realizadas por videochamada e têm duração aproximada de 50 minutos.

A frequência prevista é, preferencialmente, de uma consulta por semana.

O psicólogo poderá indicar inicialmente um ciclo de até dez sessões. Isso não significa que todos os pacientes necessariamente passarão pelas dez consultas.

A quantidade dependerá da necessidade identificada durante o acompanhamento.

Ao final desse primeiro ciclo, haverá uma nova avaliação. A partir dela, três caminhos principais poderão ser adotados:

SituaçãoEncaminhamento possível
Evolução satisfatóriaAlta
Necessidade de continuar o acompanhamento remotoNovo ciclo de teleconsultas
Necessidade de cuidado presencialEncaminhamento para a rede do SUS

O acompanhamento remoto, portanto, não funciona apenas como uma consulta isolada. Ele pode servir como início de um tratamento mais prolongado.

Serviço também atende familiares

Uma das características do programa é permitir que familiares procurem ajuda mesmo quando a pessoa que aposta ainda não buscou tratamento.

No formulário de solicitação, é possível informar se o atendimento será destinado ao próprio usuário ou à orientação sobre um familiar.

O acompanhamento pode ajudar parentes a entender como lidar com comportamentos como:

  • gastos descontrolados;
  • empréstimos frequentes;
  • endividamento provocado pelas apostas;
  • tentativas repetidas de recuperar perdas;
  • ocultação de gastos;
  • conflitos familiares;
  • irritabilidade;
  • abandono de atividades;
  • dificuldade de parar de apostar.

A orientação também pode ajudar a família a definir formas de apoio sem continuar financiando o comportamento de jogo.

Quando apostar deixa de ser apenas uma diversão?

Nem toda pessoa que realiza uma aposta apresenta um transtorno.

O problema começa a exigir maior atenção quando o comportamento passa a provocar prejuízos financeiros, emocionais, profissionais ou familiares e, ainda assim, a pessoa encontra dificuldade para interrompê-lo.

Alguns sinais merecem atenção:

  • apostar valores maiores do que havia planejado;
  • continuar jogando por mais tempo que o pretendido;
  • tentar recuperar uma perda fazendo outra aposta;
  • comprometer dinheiro destinado a aluguel, alimentação ou contas;
  • pedir dinheiro emprestado para continuar apostando;
  • esconder da família quanto foi gasto;
  • sentir necessidade crescente de apostar;
  • ficar irritado ou ansioso ao tentar parar;
  • abandonar compromissos para acompanhar jogos ou apostas;
  • utilizar as apostas como forma de escapar de problemas emocionais.

Um dos comportamentos mais perigosos é a tentativa de “recuperar o prejuízo”.

A pessoa perde dinheiro e acredita que uma nova aposta poderá devolver o valor. Caso perca novamente, aumenta a aposta seguinte. Esse ciclo pode acelerar rapidamente o endividamento.

Autoteste não substitui avaliação profissional

O autoteste disponível dentro do fluxo do Meu SUS Digital funciona como uma ferramenta de triagem.

Ele apresenta perguntas destinadas a identificar comportamentos associados ao uso problemático das apostas.

Entre os aspectos avaliados estão dificuldade de parar, tentativas de recuperar perdas, alterações emocionais e uso dos jogos para escapar de problemas.

O resultado serve para indicar o nível de atenção necessário e ajudar no encaminhamento.

Cobertura relacionadaBets afetam mais da metade das mulheres e acendem alerta sobre conflitos familiares

Ele não substitui uma consulta com psicólogo, médico ou outro profissional de saúde e não deve ser interpretado sozinho como diagnóstico.

Atendimento pode continuar presencialmente no SUS

Nem todos os casos serão acompanhados exclusivamente pela internet.

O teleatendimento também funciona como uma porta de entrada para a Rede de Atenção Psicossocial.

Dependendo da avaliação, o paciente poderá ser direcionado para serviços como:

  • Unidades Básicas de Saúde;
  • Centros de Atenção Psicossocial;
  • acompanhamento psicológico;
  • atendimento multiprofissional;
  • outros serviços da rede pública de saúde mental.

O encaminhamento dependerá do quadro apresentado e da estrutura existente na cidade onde o paciente mora.

Quem preferir também pode procurar diretamente uma Unidade Básica de Saúde sem utilizar o atendimento remoto.

Capacidade de 100 mil não significa 100 mil pacientes novos

A ampliação anunciada pelo Ministério da Saúde corresponde a até 100 mil teleatendimentos por mês.

Esse número não deve ser interpretado como capacidade automática para receber 100 mil novos pacientes mensalmente.

Como uma mesma pessoa poderá realizar diversas consultas durante seu tratamento, parte dessa capacidade será utilizada para sessões de acompanhamento.

Por exemplo, alguém que passe por oito consultas em dois meses representará oito teleatendimentos dentro das estatísticas, mas apenas um paciente.

O número efetivamente realizado também dependerá da procura e da disponibilidade dos profissionais.

Governo enviou notificação aos usuários do aplicativo

Pessoas que já possuíam o Meu SUS Digital instalado começaram a receber uma mensagem sobre a ampliação do atendimento.

A notificação informa:

O SUS ampliou o cuidado para quem tem problemas com apostas e para familiares. Agende pelo app Meu SUS Digital. O cuidado é para todos, sem julgamento.”

A estratégia tenta levar a informação diretamente aos usuários sem exigir que eles procurem previamente uma unidade do SUS.

A possibilidade de iniciar o processo de casa também busca reduzir uma das barreiras identificadas pelo Ministério da Saúde: o constrangimento de falar pessoalmente sobre perdas financeiras e comportamento relacionado ao jogo.

Além do acompanhamento em saúde mental, o governo federal mantém uma ferramenta destinada a impedir que a própria pessoa continue utilizando plataformas de apostas regulamentadas.

É a Plataforma Centralizada de Autoexclusão.

Ao solicitar o bloqueio, o usuário impede que seu CPF continue sendo utilizado para acessar empresas de apostas autorizadas pelo governo.

Segundo o Ministério da Saúde, mais de 1 milhão de pessoas já solicitaram a autoexclusão.

Entre os motivos informados pelos próprios usuários:

MotivoPercentual
Perda de controle sobre o jogo35%
Decisão voluntária de parar15,26%
Dificuldades financeiras11,82%
Recomendação de profissional de saúde1,32%

O dado que mais chama atenção é justamente o primeiro: mais de um terço das pessoas informou ter recorrido ao bloqueio porque já percebia dificuldade para controlar as apostas.

Copa do Mundo provocou forte procura por autoexclusão

O governo também registrou crescimento expressivo dos bloqueios durante a Copa do Mundo.

Entre 11 de junho e 19 de julho, 387.645 pessoas solicitaram que o próprio CPF fosse impedido de acessar as plataformas autorizadas.

O número correspondeu a aproximadamente 38% de todas as autoexclusões registradas pela plataforma até aquele momento.

Grandes eventos esportivos costumam ampliar a exposição do público às propagandas, promoções e possibilidades de apostas.

O aumento das solicitações durante a competição reforça a preocupação das autoridades de saúde com pessoas que já apresentam sinais de perda de controle.

O que acontece depois da autoexclusão?

A ferramenta pode impedir o acesso do CPF às empresas regulamentadas, mas não resolve sozinha as consequências de uma relação problemática com o jogo.

A pessoa pode continuar enfrentando:

  • dívidas acumuladas;
  • empréstimos;
  • contas atrasadas;
  • conflitos familiares;
  • ansiedade;
  • sentimento de culpa;
  • dificuldade de dormir;
  • vontade de voltar a apostar.

Por isso, a autoexclusão pode ser combinada com o acompanhamento profissional oferecido pelo SUS.

Também é importante observar que a medida se aplica às plataformas autorizadas. Sites clandestinos e empresas que atuam irregularmente representam outro problema e podem não ser atingidos pelos mesmos mecanismos de bloqueio.

O que familiares podem fazer

Quando existe perda de controle sobre apostas, o problema frequentemente deixa de atingir apenas o jogador.

Contas familiares podem ser comprometidas, empréstimos podem surgir sem conhecimento dos demais e discussões sobre dinheiro podem se tornar frequentes.

Algumas medidas podem ajudar enquanto o atendimento profissional é procurado:

  • evitar emprestar dinheiro para novas apostas;
  • conversar sem humilhar ou ameaçar;
  • proteger valores destinados às despesas essenciais da casa;
  • organizar dívidas e compromissos financeiros existentes;
  • evitar que crianças e adolescentes tenham acesso às contas de apostas;
  • incentivar o uso da autoexclusão;
  • acompanhar a procura por tratamento.

Em situações de endividamento elevado, também pode ser necessário buscar orientação financeira e jurídica separadamente.

O problema pode atingir também quem não aposta todos os dias

A frequência, sozinha, não determina a gravidade do comportamento.

Uma pessoa pode não apostar diariamente e, ainda assim, apresentar prejuízos importantes quando participa.

Um apostador que joga apenas aos fins de semana, por exemplo, pode comprometer uma parte significativa da renda em poucas horas.

O Ministério da Saúde concentra a avaliação principalmente na perda de controle e nas consequências do comportamento, e não somente na quantidade de dias em que a pessoa aposta.

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