O mês de junho já acende o alerta de profissionais de saúde no Rio Grande do Norte. A pediatra mossoroense Dra. Patrícia Monteiro chama a atenção para um surto de bronquiolite, quadro respiratório que exige máxima atenção dos pais e cuidadores, especialmente durante o período das tradicionais festas juninas.
A bronquiolite é uma inflamação dos bronquíolos, os pequenos canais que conduzem o ar dentro dos pulmões. Ela é, na maior parte dos casos, provocada por infecções virais, como o vírus sincicial respiratório (VSR), um dos principais responsáveis por surtos nesta época do ano. Os bebês e crianças pequenas são os grupos mais vulneráveis, já que ainda possuem o sistema respiratório imaturo e mais suscetível a quadros graves.
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Durante o São João, o risco se amplia com as fogueiras, tradição cultural fortemente enraizada no Nordeste. Embora representem um símbolo das festas, a médica alerta que a fumaça das fogueiras pode agravar os problemas respiratórios, principalmente em crianças que já possuem histórico de asma, alergias ou quadros prévios de bronquiolite. A inalação de fumaça pode desencadear crises severas de tosse, falta de ar e desconforto respiratório.
Diante da gravidade da situação, a Dra. Patrícia fez um apelo direto aos pais e responsáveis: “Eu vim aqui fazer um pedido a vocês, pais e mães responsáveis por bebês, especialmente os menores de seis meses. Nós estamos vivendo um verdadeiro surto de bronquiolite na cidade de Mossoró. Não temos vagas em enfermarias e UTIs para atender toda a demanda dessas crianças que estão precisando de nós agora. O melhor jeito de não passar por isso é a prevenção. Evitem sair de casa com os seus bebês. Estamos vivendo um momento maravilhoso que se aproxima, que é o São João, mas faço esse apelo em nome das nossas crianças e da situação que estamos enfrentando: por favor, evitem sair de casa, evitem aglomeração.”
Embora o foco do vídeo seja a cidade de Mossoró, a pediatra estende o alerta para todas as cidades do Rio Grande do Norte.
Para reduzir os riscos, a especialista recomenda medidas preventivas:
- Evitar a exposição das crianças à fumaça e manter distância segura das fogueiras;
- Evitar aglomerações, onde pessoas com sintomas virais podem acabar transmitindo;
- Reduzir o contato com poeira e outros agentes irritantes;
- Manter hidratação e alimentação adequadas;
- Buscar atendimento médico imediato diante de sinais de alerta como dificuldade para respirar, febre, vômitos ou tosse persistente.
Além dessas orientações, a pediatra também reforça a importância da atualização vacinal e dos cuidados básicos de higiene, que ajudam a prevenir a disseminação dos vírus respiratórios.
O alerta ganha ainda mais peso diante de casos recentes no estado. Nesta segunda-feira (02), um bebê de 1 ano e 3 meses faleceu em Parelhas, no interior do RN, após dar entrada no hospital com dificuldades respiratórias. O caso reforça a gravidade dos riscos respiratórios em crianças pequenas durante o período junino.
A orientação dos especialistas é clara: com atenção e prevenção, é possível reduzir significativamente o risco de complicações e garantir a segurança dos pequenos durante as festividades.
