Novo teste do SUS para detectar câncer de colo do útero já está disponível e vai substituir o papanicolau

Com o novo modelo, o Brasil passa a seguir as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), que classifica a testagem molecular de HPV como padrão ouro na detecção do câncer de colo de útero.
Novo teste do SUS para detectar câncer de colo do útero já está disponível e vai substituir o papanicolau
© João Risi/MS

Resumo da Notícia

O Sistema Único de Saúde (SUS) começou a disponibilizar um novo exame capaz de transformar o rastreamento do câncer de colo do útero no Brasil. Trata-se do teste de biologia molecular DNA-HPV, desenvolvido pelo Instituto de Biologia Molecular do Paraná, ligado à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que passa a substituir gradualmente o papanicolau como ferramenta principal de detecção inicial da doença.

O novo método identifica 14 genótipos do papilomavírus humano (HPV), responsável pela maior parte dos casos de câncer do colo do útero. O diferencial é a capacidade de detectar o vírus ainda em fases silenciosas, antes mesmo do surgimento de lesões.

A coleta é semelhante à do papanicolau: realizada em consultório ginecológico, mas, em vez de ser colocada em uma lâmina, a secreção retirada do colo do útero é armazenada em um tubo com líquido conservante e enviada ao laboratório para análise molecular.

Segundo o Ministério da Saúde, esse avanço permite maior sensibilidade diagnóstica e menos necessidade de exames repetidos ou intervenções desnecessárias. A recomendação é que, em caso de resultado negativo, o intervalo entre os testes seja ampliado para até cinco anos, otimizando o atendimento e reduzindo custos.

Onde o exame já está disponível

A implementação inicial contempla estados com serviços de referência em colposcopia e biópsia, para garantir a continuidade do atendimento às mulheres com resultados alterados. Entre eles estão:

  • São Paulo
  • Rio de Janeiro
  • Minas Gerais
  • Ceará
  • Bahia
  • Pará
  • Rondônia
  • Goiás
  • Rio Grande do Sul
  • Paraná
  • Pernambuco
  • Distrito Federal

Nessa primeira fase, um município em cada estado receberá a tecnologia. A expansão será gradual, até que todo o Brasil esteja coberto até dezembro de 2026. A expectativa é alcançar 7 milhões de mulheres, entre 25 e 64 anos, todos os anos.

O papanicolau não será totalmente abandonado. Ele seguirá como exame complementar para confirmação em casos em que o DNA-HPV der resultado positivo. A diferença é que, até então, o papanicolau era a principal forma de rastreamento.

Com o novo modelo, o Brasil passa a seguir as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), que classifica a testagem molecular de HPV como padrão ouro na detecção do câncer de colo de útero.

Impacto na saúde pública

O câncer de colo do útero é o terceiro mais incidente entre mulheres brasileiras e responsável por cerca de 17 mil novos diagnósticos por ano, de acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca). São 15 casos a cada 100 mil mulheres e cerca de 20 mortes por dia, com maior incidência no Nordeste.

Por isso, o Ministério da Saúde considera a implementação do DNA-HPV “um marco na saúde da mulher”, pois além de ser mais preciso, traz a possibilidade de rastreio equitativo em regiões remotas, onde há menor oferta de serviços.

A OMS estabeleceu a meta de eliminar o câncer de colo do útero como problema de saúde pública até 2030, por meio da vacinação contra HPV, rastreamento eficiente e tratamento adequado. A disponibilização do teste molecular no SUS coloca o Brasil em sintonia com essa estratégia global.

Deixe um comentário

Seu e‑mail não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.