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Saúde e bem-estar

Nova terapia contra câncer de próstata avançado chega ao Brasil com promessa de frear metástases e mortes

Médicos reforçam que, apesar das novas terapias, o diagnóstico precoce segue como a melhor forma de reduzir mortes pela doença.

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Resumo da Notícia

  • Anvisa aprova terapia com talazoparibe e enzalutamida para câncer de próstata metastático e resistente ao bloqueio hormonal.
  • Estudo na Nature Medicine mostrou redução de 55% no risco de progressão e morte com a nova combinação medicamentosa.
  • Mutação HRR, presente em 4% dos casos, agrava o câncer de próstata e torna necessário o novo tratamento.
  • Terapia custa cerca de R$ 50 mil por mês e ainda não está disponível no SUS, limitando o acesso.
  • Diagnóstico precoce segue sendo a melhor forma de combate: urologistas recomendam rastreamento a partir dos 50 anos.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou em junho um novo tratamento para câncer de próstata metastático, que já se mostra uma das maiores inovações da oncologia recente. A aprovação contempla a combinação dos medicamentos talazoparibe e enzalutamida, voltada especificamente para pacientes nos estágios mais avançados da doença, aqueles nos quais o tumor não responde mais ao bloqueio hormonal tradicional.

Segundo a literatura médica e especialistas na área, essa forma avançada é classificada como câncer de próstata resistente à castração com metástase (mCRPC). De acordo com estimativas de oncologistas brasileiros, até 20% dos homens diagnosticados evoluem para essa condição.

Há ainda um grupo mais restrito, porém mais grave, de pacientes que apresentam mutações nos genes de reparo por recombinação homóloga (HRR) – condição genética que impede que as células corrijam adequadamente danos no DNA, levando à progressão do câncer. Estima-se que 4% dos pacientes com câncer de próstata apresentam essa mutação.

A aprovação da Anvisa ocorreu após resultados robustos de um estudo clínico de fase 3, publicado em 2023 na revista Nature Medicine. Esse estudo revelou que a terapia combinada reduziu em 55% o risco de progressão do câncer e morte entre homens com câncer de próstata metastático e mutação HRR, quando comparada ao tratamento padrão com enzalutamida e placebo. O estudo pode ser acessado no link.

Como funcionam os medicamentos

O talazoparibe, nome comercial Talzenna, é produzido pela Pfizer e atua como inibidor das enzimas PARP (poli ADP-ribose polimerase). Já a enzalutamida, comercializada como Xtandi, da farmacêutica Accord, atua bloqueando a ação da testosterona e de outros hormônios androgênicos. Esse bloqueio hormonal é uma estratégia amplamente usada no tratamento do câncer de próstata, já que esse tipo de tumor depende de hormônios masculinos para se desenvolver.

Ambos os medicamentos já estavam disponíveis no Brasil, mas a novidade é o uso combinado especificamente aprovado para câncer de próstata com mutação HRR. Talzenna já era prescrito em tratamentos de câncer de mama e ovário com a mesma mutação genética, enquanto Xtandi era um dos pilares no tratamento hormonal do câncer de próstata metastático.

Segundo o oncologista Frederico Leal, do Hospital das Clínicas da Unicamp, os tumores com mutações nos genes de reparo celular apresentam comportamento mais agressivo e maior capacidade de se espalhar pelo corpo, mesmo após as terapias hormonais usuais. Ele explica que “essas drogas vão provocar a morte de células que estão em proliferação, principalmente as cancerígenas”.

Tratamento ainda está fora do SUS e tem alto custo

Apesar do avanço científico, a nova combinação terapêutica ainda não está disponível no SUS (Sistema Único de Saúde). Ambos os medicamentos podem ser encontrados no mercado brasileiro, mas o custo mensal da terapia chega a R$ 50 mil – aproximadamente R$ 40 mil pelo Talzenna e R$ 10 mil pelo Xtandi.

Esse valor é considerado elevado e limita o acesso ao tratamento para pacientes da rede pública, que dependem de políticas de incorporação de medicamentos no SUS, processo que envolve análises da Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS) e tempo para avaliação de custo-benefício.

Impacto da doença no Brasil

Em 2023, o câncer de próstata causou a morte de 17.093 homens no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde. Esse número se aproxima das estatísticas de câncer de mama feminino, que ceifou a vida de 19.103 mulheres em 2022, conforme o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Os dados reforçam o impacto da doença entre os homens e a necessidade de políticas de prevenção e diagnóstico precoce.

Atualmente, o Brasil registra cerca de 47 mortes por dia em decorrência do câncer de próstata, alerta a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU).

Diagnóstico precoce ainda é a principal defesa

Médicos reforçam que, apesar das novas terapias, o diagnóstico precoce segue como a melhor forma de reduzir mortes pela doença. A SBU recomenda que homens a partir dos 50 anos façam acompanhamento com urologista, mesmo na ausência de sintomas. Homens com histórico familiar de câncer de próstata devem iniciar o rastreamento aos 45 anos, dado o risco aumentado.

Quando o câncer é detectado no início, é possível tratá-lo com prostatectomia radical (cirurgia para remoção da próstata) ou radioterapia, muitas vezes com bons índices de cura. Em estágios avançados, o tratamento pode incluir quimioterapia, radiofármacos e, agora, terapias-alvo como a combinação de talazoparibe com enzalutamida.

Segundo o oncologista Frederico Leal, “a gente tem hoje um arsenal bastante variado para usar contra o câncer de próstata avançado”, o que pode trazer mais esperança, especialmente para pacientes com diagnóstico tardio ou casos agressivos da doença.

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Rafael Nicácio
Sobre o autor

Rafael Nicácio

Proprietário, redator e editor

Co-fundador e redator do Portal N10, sou responsável pela administração e produção de conteúdo do site, consolidando mais de uma década de experiência em comunicação digital. Minha trajetória inclui passagens por assessorias de comunicação…

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