Resumo da Notícia
Com o verão em alta e o período de férias escolares ainda em andamento, o Rio Grande do Norte vive o cenário típico da estação: praias cheias, piscinas lotadas, rios e lagoas disputados por moradores e turistas em busca de descanso e alívio para o calor intenso. Em meio a esse clima de lazer, porém, um alerta médico precisa ser levado a sério. Um simples mergulho, feito sem os cuidados necessários, pode resultar em lesões graves, permanentes e até fatais.
O neurocirurgião e cirurgião de coluna Marco Moscatelli chama atenção para um dado que se repete ano após ano no país. O mergulho em água rasa é a segunda maior causa de traumatismo raquimedular durante o verão, segundo dados da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN). Aproximadamente 65% desses acidentes acontecem no mar ou em piscinas, atingindo majoritariamente homens jovens, entre 10 e 29 anos. Em até metade dos casos, há registro de consumo de bebida alcoólica antes do acidente.
Não perca nada!
Faça parte da nossa comunidade:
O perigo, muitas vezes, está oculto. Mesmo em locais aparentemente seguros, o fundo pode esconder pedras, bancos de areia ou variações bruscas de profundidade. “As principais lesões são fraturas da coluna cervical e lesões ligamentares, com ou sem comprometimento da medula. O trauma ocorre geralmente com a flexão brusca do pescoço, gerando uma onda de choque que pode causar consequências gravíssimas, como lesão medular, parada respiratória, tetraplegia e até morte súbita”, alerta o médico.
Dados reforçam a gravidade do problema
Os números confirmam que não se trata de casos isolados. O Boletim 2025 da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa) aponta que somente em 2023 foram registradas 609 internações hospitalares por traumas decorrentes de mergulhos em águas rasas, além de 33 mortes associadas a esse tipo de acidente. A faixa etária mais atingida é a de 15 a 44 anos, que concentra 76% das vítimas, enquanto 95% dos casos envolvem homens.
Mesmo quando o mergulho não é de cabeça, os riscos continuam elevados. Fraturas nos tornozelos, joelhos, quadril e coluna lombar também são frequentes. No caso das lesões cervicais, os danos costumam ser irreversíveis, exigindo cirurgias complexas, longos períodos de reabilitação e mudanças profundas na rotina da vítima e de toda a família.
Medidas simples podem prevenir tragédias
Segundo Moscatelli, a maioria desses acidentes poderia ser evitada com atitudes básicas de prevenção. A principal orientação é clara: nunca mergulhar de cabeça em locais de profundidade desconhecida. “Antes de entrar na água, é fundamental verificar a profundidade, entrar devagar, em pé, e observar cuidadosamente o fundo. Se for mergulhar, que seja apenas quando extremamente necessário, de forma superficial e sempre com os braços estendidos protegendo a cabeça”, orienta.
O médico também destaca o papel do álcool como fator de risco. “Evitar bebidas alcoólicas, não brincar em áreas rasas, manter distância de locais de salto e ter cuidado redobrado em águas turvas são medidas essenciais para um verão seguro”, afirma. O consumo de álcool reduz reflexos, prejudica a noção de risco e aumenta a chance de decisões imprudentes.
Outro ponto crucial envolve os primeiros socorros. Em caso de acidente, a vítima deve ser retirada da água com extremo cuidado, mantendo a coluna cervical em posição neutra, sem movimentos bruscos, e o atendimento especializado deve ser acionado imediatamente. Qualquer movimentação inadequada pode agravar lesões já existentes.
Apesar de muitas ocorrências estarem associadas a ambientes naturais, as piscinas também representam perigo. Mesmo com água aparentemente cristalina, erros de cálculo podem resultar em impactos contra o fundo ou as bordas. “Informação, prudência e supervisão constante, especialmente no caso de crianças e adolescentes, são fundamentais para que o verão seja lembrado apenas por bons momentos”, finalizou Moscatelli.
