Com 42% de adultos obesos, Rio Grande do Norte enfrenta crise silenciosa de saúde

Além disso, quase 60% da população adulta potiguar está acima do peso, condição que eleva significativamente o risco de diabetes, hipertensão, infarto, AVC e outras doenças crônicas.
Crescimento da obesidade adulta coloca RN em situação crítica de saúde coletiva
Crescimento da obesidade adulta coloca RN em situação crítica de saúde coletiva - Crédito: PBXStudio / Adobe Stock

Resumo da Notícia

O crescimento acelerado da obesidade adulta no Rio Grande do Norte deixou de ser um fenômeno estatístico e passou a produzir efeitos concretos sobre o sistema de saúde, a qualidade de vida da população e a capacidade de resposta do poder público.

De acordo com o levantamento, 42% dos potiguares adultos atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) apresentavam algum grau de obesidade. A média nacional é de 31%. O Rio Grande do Norte fica atrás apenas do Rio Grande do Sul entre os estados com mais adultos obesos.

Segundo o levantamento, quase 60% da população adulta do estado está acima do peso, o que também aumenta o risco de diabetes e outras doenças.

Do ponto de vista médico, a obesidade não é tratada como um problema estético nem como uma condição isolada. A endocrinologista Anna Karina, presidente da Sociedade de Endocrinologia do Rio Grande do Norte (SBEM), explica que o excesso de gordura corporal atua como elemento desencadeador de múltiplas doenças, muitas delas potencialmente fatais.

A obesidade nunca vem sozinha. Então muitas vezes a obesidade vem com diabetes associado, com hipertensão, muitas vezes o infarto agudo do miocárdio, muitas vezes um AVC isquêmico, apnéia do sono, afirmou.

A médica reforça que a ciência já mapeou de forma detalhada os impactos clínicos dessa condição.

Então, o The Lancet fez um Atlas de obesidade, em que ele catalogou 200 condições clínicas associadas à obesidade, completou.

Na prática, isso significa que o avanço da obesidade amplia o risco de internações, eleva custos hospitalares e compromete indicadores de mortalidade, especialmente em populações com menor acesso a acompanhamento contínuo.

Apesar de o Ministério da Saúde classificar oficialmente a obesidade como doença crônica, especialistas apontam uma incoerência estrutural na política pública. Segundo Anna Karina, o reconhecimento formal não se traduz em acesso a terapias completas dentro do SUS.

Hoje o Ministério da Saúde considera a obesidade como doença crônica, mas pelo Ministério da Saúde eles têm que disponibilizar medicamentos para pessoas com doenças crônicas, mas a gente não tem nenhuma medicação disponibilizada pelo SUS para tratar obesidade, explicou.

Para a endocrinologista, essa lacuna compromete diretamente a efetividade do tratamento.

Isso é muito grave. Então, o Ministério da Saúde encara como doença crônica, mas não valoriza o tratamento medicamentoso que muitas vezes é necessário para esses pacientes, reforçou.

Impacto social e tendência de agravamento

Além das consequências metabólicas, a obesidade afeta dimensões sociais e psicológicas, reforçando estigmas, discriminação e sofrimento emocional. O crescimento do excesso de peso entre crianças e adolescentes nas últimas décadas aponta para um ciclo de agravamento, com efeitos de longo prazo sobre a saúde coletiva.

Especialistas classificam o cenário atual como um problema de saúde pública consolidado, cuja reversão depende de políticas estruturadas, acesso amplo a tratamento e ações preventivas contínuas — algo que, no momento, ainda não acompanha a dimensão do problema.

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