Resumo da Notícia
O Rio Grande do Norte deve registrar 3.740 novos casos de câncer de cabeça e pescoço em 2026, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Em 2023, a projeção era de 3.568 casos, o que representa crescimento de 4,82% no estado. No recorte nacional, a alta estimada é ainda maior: os casos saltam de 215.492, em 2023, para 252.774, em 2026, um avanço de 17,30%.
Esse cálculo considera casos de câncer de cavidade oral, laringe e glândula tireoide, além de 80% dos casos de pele não melanoma, referentes à pele da face. Dentro desse conjunto, o tipo mais comum é justamente o câncer de pele não melanoma, com ocorrência equilibrada entre homens e mulheres.
Em seguida aparece o câncer de tireoide, mais frequente em mulheres, e depois os tumores do trato aéreo-digestivo alto, como boca e faringe, mais comuns entre homens.
Segundo o médico Edilson Pinto, cirurgião de cabeça e pescoço da Liga Contra o Câncer, a expressão usada no dia a dia é ampla e reúne diferentes tumores da região. “Câncer da cabeça e pescoço” é uma forma genérica para falar sobre os tumores que acometem as estruturas ou órgãos que se localizam na cabeça e no pescoço, com exceção dos tumores intracranianos – no cérebro, cerebelo ou meninges.
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Essa definição ajuda a entender por que os números envolvem desde tumores de pele na face até casos em boca, faringe, laringe e tireoide. Também deixa claro que se trata de um grupo amplo, com perfis, sintomas e fatores de risco diferentes.
Por que o diagnóstico precoce pesa tanto nesses casos
Um dos pontos mais preocupantes é o estágio em que muitos desses tumores costumam ser descobertos. Dados do Inca indicam que 80% dos tumores de cabeça e pescoço são diagnosticados em estágios avançados, principalmente nos casos de boca, faringe e laringe.
Segundo Edilson Pinto, esse atraso reduz muito a perspectiva de recuperação. Nesses casos, “a chance de cura reduz significativamente e consequentemente piora a sobrevivência do paciente”, aponta o especialista. Por isso, a defesa do diagnóstico precoce aparece como peça central para tentar mudar esse cenário.
Quando o tratamento é iniciado cedo, o ganho não se limita à chance de resposta clínica. As sequelas são significativamente menores, ou até inexistentes, o que também interfere diretamente na qualidade de vida do paciente.
Quais sinais exigem atenção médica
No caso do câncer de pele, Edilson Pinto afirma que o principal alerta é a presença de lesão. Segundo ele, qualquer mancha, ferida ou nódulo com crescimento progressivo ou diâmetro superior a 6 mm deve ser avaliado por um especialista, preferencialmente um dermatologista.
Já nos outros tipos de câncer de cabeça e pescoço, o médico destaca cinco sinais e sintomas que precisam de avaliação médica quando persistem por mais de 15 dias, sem melhora:
- nódulo no pescoço que permaneça palpável ou aumente de tamanho
- ferida na mucosa da boca, no lábio ou na garganta
- rouquidão persistente
- dor ao deglutir, como uma dor de garganta
- obstrução nasal com ou sem sangramento, com nariz entupido
O especialista chama atenção para o fato de que esses sintomas, isoladamente, não significam necessariamente câncer, mas não devem ser banalizados quando persistem. “Esses cinco sinais e sintomas podem ser comuns no dia a dia, associados a síndromes gripais ou virais, a processos inflamatórios como rinite e sinusite, ou outras causas. O que alerta para a necessidade de uma avaliação é a permanência dos sintomas, sem melhora”, frisa o médico.
Quais fatores mais contribuem para o surgimento desses tumores
Entre os hábitos e fatores de risco mais ligados ao desenvolvimento de tumores de cabeça e pescoço estão tabagismo, alcoolismo e infecção ou colonização pelo vírus HPV na garganta. Para o câncer de pele, o principal fator etiológico destacado pelo especialista é outro: a radiação causada pela exposição solar.
Esse conjunto ajuda a explicar por que prevenção, atenção aos sintomas e diagnóstico precoce aparecem como eixos centrais quando se discute o avanço desses casos.
Os números da Liga Contra o Câncer no estado ajudam a medir o tamanho dessa pressão assistencial. Em 2025, a instituição realizou 22.835 procedimentos ligados a esse tipo de câncer. Desse total, foram 14.295 consultas, 4.303 cirurgias e 4.237 procedimentos diversos, como biópsias, exames endoscópicos e pequenas cirurgias de lesões pequenas de pele.
O dado reforça que o tema não está apenas no campo das projeções futuras. Ele já movimenta grande volume de atendimentos, cirurgias e exames no sistema de assistência oncológica do estado.
