Bebês prematuros passam a contar com vacina contra bronquiolite no SUS

Com a distribuição inicial de 300 mil doses em todo o país, o Ministério da Saúde busca ampliar a cobertura preventiva e aliviar a pressão sobre hospitais, especialmente durante os períodos de maior circulação do Vírus Sincicial Respiratório.
Bebês prematuros passam a contar com vacina contra bronquiolite no SUS
O SUS já oferece a vacina contra o VSR para gestantes, a partir da 28ª semana de gravidez, protegendo os bebês desde o nascimento; 300 mil doses já foram distribuídas para todo o país - Foto: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde DF

Resumo da Notícia

A partir deste mês, bebês prematuros e crianças com comorbidades passam a ter acesso, pelo Sistema Único de Saúde, a uma nova forma de proteção contra a bronquiolite, uma das principais causas de internação infantil no Brasil. O SUS começou a ofertar o nirsevimabe, um anticorpo monoclonal indicado para prevenir infecções causadas pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR), responsável pela maioria dos quadros graves da doença em crianças pequenas.

Diferentemente das vacinas tradicionais, o nirsevimabe não estimula o organismo do bebê a produzir anticorpos próprios. Segundo o Ministério da Saúde, trata-se de um anticorpo pronto, capaz de oferecer proteção imediata, algo considerado fundamental para recém-nascidos mais vulneráveis, especialmente aqueles que nasceram antes do tempo esperado ou que convivem com doenças pré-existentes.

São considerados prematuros os bebês que nasceram com menos de 37 semanas de gestação. Além desse grupo, a nova estratégia contempla crianças de até dois anos que apresentam comorbidades associadas a maior risco de complicações respiratórias. Entre elas estão doença pulmonar crônica da prematuridade (broncodisplasia), cardiopatia congênita, anomalias congênitas das vias aéreas, doença neuromuscular, fibrose cística, imunocomprometimento grave, seja de origem inata ou adquirida, além da síndrome de Down.

Distribuição nacional e estratégia ampliada

De acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, 300 mil doses do nirsevimabe já foram distribuídas para todo o país, permitindo que estados e municípios iniciem a aplicação conforme os critérios definidos pelo programa.

A medida reforça a política já existente de prevenção ao VSR, que inclui a vacinação de gestantes a partir da 28ª semana de gravidez, estratégia que garante proteção indireta aos bebês desde o nascimento.

Os dados epidemiológicos ajudam a dimensionar a relevância da nova incorporação. O VSR é responsável por cerca de 75% dos casos de bronquiolite e 40% das pneumonias em crianças menores de dois anos, sendo um dos principais agentes de internações pediátricas durante os períodos de maior circulação viral.

Números preocupantes em 2025

Em 2025, até o dia 22 de novembro, o Brasil registrou 43,2 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associados ao VSR. Desse total, mais de 35,5 mil hospitalizações ocorreram em crianças com menos de dois anos de idade, o que representa 82,5% dos casos de SRAG por VSR no período. O recorte evidencia o impacto desproporcional do vírus sobre bebês e crianças pequenas, especialmente aquelas em condições clínicas mais frágeis.

Apesar do avanço na prevenção, o tratamento da bronquiolite segue limitado. Como a maioria dos casos tem origem viral, não existe um medicamento específico capaz de eliminar o vírus. O manejo clínico baseia-se no controle dos sintomas e inclui terapia de suporte, suplementação de oxigênio quando necessária, hidratação adequada e uso de broncodilatadores, sobretudo em situações em que há chiado evidente no peito. Por isso, a prevenção continua sendo apontada por especialistas como a principal ferramenta para reduzir complicações, internações e óbitos.

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