Resumo da Notícia
A parceria entre a Stellantis e a chinesa Leapmotor entrou em uma nova fase na Europa e agora deixa de ser apenas comercial para ganhar força também na produção de veículos elétricos. O movimento envolve fábricas na Espanha, novos utilitários esportivos e uma estratégia clara para reduzir custos e ampliar a presença das marcas no mercado europeu. A expansão também reforça a corrida das montadoras por carros elétricos mais acessíveis e competitivos.
O anúncio foi feito nesta sexta-feira (8) e marca mais um avanço da aliança criada em 2023, quando a Stellantis comprou 21% da Leapmotor e se tornou a maior acionista da fabricante chinesa. Na mesma operação nasceu a Leapmotor International, empresa responsável pelas operações fora da China, controlada em 51% pela Stellantis e 49% pela montadora asiática.
Desde então, a parceria vinha funcionando principalmente na distribuição de veículos elétricos da Leapmotor fora do território chinês. Os modelos T03 e C10 começaram a ser vendidos na Europa no fim de 2024 e rapidamente ajudaram a ampliar a presença da empresa no continente, que já soma cerca de 850 pontos de venda e assistência técnica.
O desempenho comercial chamou atenção dentro da indústria. Apenas em 2025, mais de 40 mil veículos da marca chinesa foram vendidos na Europa, resultado considerado expressivo para uma empresa recém-chegada ao mercado europeu. Agora, o foco passa a ser produzir localmente para ganhar escala e escapar das tarifas impostas pela União Europeia aos carros importados da China.
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A principal novidade envolve a fábrica da Stellantis em Zaragoza, na Espanha. A unidade passará a produzir o Leapmotor B10, um utilitário esportivo elétrico inédito para o mercado europeu, com início previsto ainda para 2026. A planta espanhola já monta modelos importantes do grupo, como Peugeot 208 e Lancia Ypsilon.
Além do B10, a Stellantis confirmou que a mesma linha de produção receberá futuramente um novo utilitário esportivo elétrico da Opel, desenvolvido em conjunto com a tecnologia da Leapmotor. O projeto faz parte da estratégia da companhia para acelerar sua presença no segmento de elétricos e ampliar a competitividade da marca alemã na Europa.
Os planos também avançam sobre a fábrica de Villaverde, em Madri. A unidade, que atualmente produz o Citroën C4, opera abaixo da capacidade e passou a ser vista como peça importante dentro da parceria. A intenção é destinar novos modelos da Leapmotor para a planta espanhola a partir de 2028.
Nos bastidores, a Stellantis ainda avalia uma possibilidade considerada ousada pelo mercado: transferir o controle da fábrica de Madri para a Leapmotor International. A medida serviria para fortalecer a operação conjunta e garantir um futuro mais sólido para a unidade espanhola, que hoje emprega cerca de 1.500 trabalhadores.
Outra frente importante da cooperação envolve compras conjuntas de peças e componentes. As duas montadoras pretendem negociar em parceria com fornecedores para reduzir despesas industriais, ganhar escala global e aproveitar o conhecimento chinês na cadeia de veículos eletrificados. A ideia é unir a estrutura industrial europeia com a eficiência de custos asiática.
A produção local também representa uma vantagem estratégica para a Leapmotor. Fabricar carros dentro da Europa reduz a dependência de veículos importados da China e diminui o impacto das tarifas aplicadas recentemente pela União Europeia sobre automóveis elétricos chineses. Isso pode tornar os modelos mais competitivos em preço no continente.
A escolha da Espanha não aconteceu por acaso. O país já vinha sendo tratado como favorito para receber a produção europeia da Leapmotor desde 2025, inclusive com previsão de investimentos próximos de 200 milhões de dólares. Zaragoza, por exemplo, emprega atualmente cerca de 4.400 trabalhadores e é considerada uma das plantas mais eficientes da Stellantis na região.
O aprofundamento da parceria também reflete a estratégia do novo diretor-executivo da Stellantis, Antonio Filosa. Segundo ele, a colaboração com a Leapmotor pode servir como modelo para futuras alianças da companhia com outras montadoras chinesas. Para o executivo, a meta é acelerar a oferta de elétricos acessíveis sem perder competitividade no mercado europeu.
Em comunicado, Filosa afirmou que o plano ajudará a ampliar a produção e fortalecer a montagem de veículos elétricos na Europa com preços mais competitivos e alinhados às necessidades reais dos consumidores. A avaliação dentro do setor é que Stellantis e Leapmotor estão construindo uma das alianças mais ambiciosas entre uma gigante europeia e uma fabricante chinesa de carros elétricos.
