Resumo da Notícia
O Geely EX2 deixou rapidamente de ser apenas mais um elétrico chinês tentando espaço no Brasil. Em julho, o hatch registrou 5.707 emplacamentos no varejo e ficou a apenas 154 unidades do BYD Dolphin, que liderou aquele recorte do mercado. O volume torna uma questão cada vez mais relevante para quem considera a compra: depois do preço da concessionária, quanto custa manter um EX2 na garagem?
A resposta começa pela energia, mas não termina nela. O EX2 está entre os automóveis mais eficientes homologados no país, tem revisões espaçadas a cada 20 mil quilômetros e uma garantia extensa para bateria e conjunto elétrico. Seguro, impostos, pneus e depreciação, porém, continuam podendo pesar mais no orçamento do que a própria recarga.
Para não transformar estimativas em certezas, esta análise separa as despesas calculáveis das que dependem do perfil do proprietário. A referência de uso adotada é de 1.000 km por mês, com recarga predominantemente residencial.
Quanto custa o Geely EX2 hoje?
O EX2 é vendido nas versões Pro e Max. As duas utilizam a mesma arquitetura elétrica, com motor traseiro de 116 cv e bateria de 39,4 kWh, mas diferem principalmente em equipamentos de conforto, conectividade e assistência à condução.
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Há um cuidado importante ao pesquisar preço.
Quando o carro foi lançado no Brasil, em novembro de 2025, a Geely anunciou R$ 119.990 para o EX2 Pro e R$ 135.100 para o Max. Esses valores ainda aparecem no material oficial de lançamento do Geely EX2, mas não são os números utilizados nas ofertas atuais consultadas para esta matéria.
Neste fim de agosto de 2026, páginas de ofertas da rede oficial Geely anunciam:
| Versão | Preço à vista anunciado |
|---|---|
| Geely EX2 Pro | R$ 123.800 |
| Geely EX2 Max | R$ 136.800 |
A oferta atual do EX2 Pro e a condição do EX2 Max são destinadas a pessoa física e indicam validade até 31 de agosto de 2026, ou enquanto houver estoque.
Por isso, quem encontra anúncios ou matérias indicando que o EX2 “custa R$ 119.990” precisa observar a data da informação. O valor fez parte do lançamento, mas não corresponde ao preço à vista exibido nas ofertas consultadas agora.
EX2 gasta quanto de energia para rodar 1.000 km?
Esse é um dos pontos fortes do carro.
A Geely informa consumo energético de 0,39 MJ/km, dado atribuído à homologação do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular. A tabela do PBEV/Inmetro de 2026 também registra o EX2 Max com 0,39 MJ/km e autonomia de 289 km.
Para transformar esse indicador em algo compreensível na conta de luz, é necessário converter megajoules para quilowatt-hora.
Como 1 kWh equivale a 3,6 MJ:
0,39 MJ/km ÷ 3,6 = 0,1083 kWh/km
Isso representa aproximadamente:
| Distância | Energia consumida |
| 100 km | 10,83 kWh |
| 500 km | 54,17 kWh |
| 1.000 km | 108,33 kWh |
| 1.500 km | 162,50 kWh |
A partir daí, o preço depende da tarifa efetivamente paga pela residência.
Quanto custa rodar 1.000 km?
| Preço efetivo da energia | Custo para 1.000 km |
| R$ 0,85/kWh | R$ 92,08 |
| R$ 1,00/kWh | R$ 108,33 |
| R$ 1,20/kWh | R$ 130,00 |
Esses valores permitem adaptar a conta à realidade de qualquer estado. Basta consultar na fatura residencial quanto está sendo efetivamente pago por kWh e aplicar esse preço aos 108,33 kWh estimados para 1.000 km.
Bandeiras tarifárias, impostos, condições locais e a própria estrutura da conta de energia fazem o valor variar.
O cálculo já considera energia retirada da rede
Há uma diferença técnica importante.
Para estimar quanto um elétrico pesa na conta de luz, não é correto simplesmente dividir a capacidade da bateria pela autonomia e encerrar a conta.
O consumo do PBEV é uma medida de energia proveniente de fonte externa ao veículo. Isso torna o indicador mais adequado para avaliar o que precisa ser retirado da rede elétrica para movimentar o automóvel.
No uso real, ainda existem variáveis.
Velocidade, temperatura ambiente, relevo, ar-condicionado, pressão dos pneus, carga transportada e estilo de condução afetam a eficiência. Por isso, os R$ 108,33 não devem ser interpretados como uma promessa de gasto exato para qualquer proprietário.
São uma referência baseada no consumo homologado.
Quanto custa carregar toda a bateria?
O EX2 utiliza uma bateria de fosfato de ferro-lítio, ou LFP, com 39,4 kWh de capacidade.
Matematicamente, uma carga equivalente a toda essa capacidade representaria:
| Tarifa | 39,4 kWh |
| R$ 0,85/kWh | R$ 33,49 |
| R$ 1,00/kWh | R$ 39,40 |
| R$ 1,20/kWh | R$ 47,28 |
Essa conta tem utilidade apenas como referência.
Na vida real, o carro não chega obrigatoriamente ao carregador com 0% nem precisa sair sempre com 100%. Além disso, capacidade nominal da bateria e energia efetivamente medida na tomada são grandezas que não devem ser tratadas como perfeitamente equivalentes.
Para planejamento financeiro, portanto, o gasto por quilometragem rodada é uma referência melhor do que o preço de uma suposta “carga completa”.
Autonomia é de 289 km pelo Inmetro
As versões comercializadas no Brasil usam bateria de 39,4 kWh e têm 289 km de autonomia segundo o padrão do Inmetro.
Esse número é o que deve orientar comparações nacionais.
O EX2 também aceita recarga rápida em corrente contínua de até 70 kW. De acordo com a Geely, a bateria pode passar de 30% a 80% em aproximadamente 21 minutos quando utilizada uma estação DC capaz de fornecer a potência necessária e em condições adequadas.
Há ainda função V2L de 3,3 kW, que permite utilizar a energia armazenada na bateria para alimentar equipamentos externos compatíveis.
| Especificação | Geely EX2 |
| Potência | 116 cv |
| Torque | 150 Nm |
| Bateria | 39,4 kWh |
| Tipo de bateria | LFP |
| Autonomia Inmetro | 289 km |
| Consumo energético | 0,39 MJ/km |
| Recarga rápida DC | até 70 kW |
| 30% a 80% em DC | cerca de 21 minutos |
| V2L | 3,3 kW |
| Tração | traseira |
O motor fica no eixo traseiro, uma característica pouco comum entre elétricos dessa faixa de preço.
Revisões: R$ 2.949 nos quatro primeiros serviços
A manutenção programada do EX2 ocorre a cada 20 mil quilômetros ou 12 meses, o que acontecer primeiro.
Isso significa que um motorista que percorra 10 mil km por ano terá de fazer a revisão pelo critério de tempo, mesmo sem atingir a quilometragem prevista.
Na tabela oficial de revisões do Geely EX2, os preços fechados atualmente são:
| Revisão | Preço |
| 20.000 km ou 12 meses | R$ 315 |
| 40.000 km ou 24 meses | R$ 680 |
| 60.000 km ou 36 meses | R$ 315 |
| 80.000 km ou 48 meses | R$ 1.639 |
| 100.000 km ou 60 meses | R$ 315 |
| 120.000 km ou 72 meses | R$ 680 |
| 140.000 km ou 84 meses | R$ 315 |
As quatro primeiras somam R$ 2.949.
Distribuído pelos primeiros 48 meses, o gasto médio corresponde a aproximadamente R$ 61,44 por mês.
Até 100 mil km ou cinco anos, o acumulado chega a R$ 3.264. Considerando todos os preços atualmente publicados até 140 mil km, são R$ 4.259.
A tabela informada pela Geely inclui peças, mão de obra, óleos, lubrificantes e fluidos previstos no plano periódico. Os preços fechados consultados têm validade indicada até 31 de agosto de 2026 e podem ser atualizados posteriormente.
Isso é especialmente importante em uma matéria de custo de propriedade: os valores de revisão devem ser tratados como preços atuais, não como uma promessa do que o proprietário pagará daqui a seis ou sete anos.
A revisão de 80 mil km concentra boa parte do gasto
A manutenção do EX2 não cresce de forma linear.
As visitas de 20 mil e 60 mil km custam apenas R$ 315, enquanto a de 80 mil km sobe para R$ 1.639.
Sozinha, essa revisão representa aproximadamente 56% do gasto acumulado nos quatro primeiros serviços.
Isso mostra por que comparar apenas o preço da primeira revisão entre dois carros pode produzir uma impressão errada.
Para avaliar custo de manutenção, faz mais sentido olhar um período maior — quatro ou cinco anos — e somar todo o plano correspondente.
Seguro pode custar mais que energia e revisão juntas
É no seguro que a previsibilidade diminui.
Um levantamento recente de cotações para o Geely EX2 Pro 2026, baseado em mais de 1.250 registros, mostra uma diferença ampla entre as melhores propostas e o preço típico encontrado no mercado.
No recorte nacional:
| Referência | Valor anual |
| Faixa das melhores propostas | R$ 1.639 a R$ 3.107 |
| Mediana das melhores propostas | R$ 2.289 |
| Preço típico de mercado na base | R$ 4.045 |
A mediana de R$ 2.289 equivale a aproximadamente R$ 190,75 por mês.
Já R$ 4.045 anuais representam cerca de R$ 337,08 mensais.
A diferença mostra por que não existe um “preço do seguro do EX2”.
CEP, idade do motorista, histórico de sinistros, bônus, garagem, utilização profissional, condutores adicionais, cobertura para terceiros, franquia e política comercial da seguradora interferem diretamente na proposta.
O valor mais útil para quem está avaliando a compra é aquele obtido com o próprio CPF e CEP antes de assinar o pedido do carro.
Quanto custa manter um EX2 por mês?
Com esses dados, é possível montar dois cenários — sem chamá-los de custo total do veículo.
As premissas são:
- 1.000 km rodados por mês;
- eletricidade a R$ 1/kWh;
- média das quatro primeiras revisões distribuída por 48 meses;
- seguro calculado primeiro pela mediana das melhores propostas e depois pelo preço típico da base consultada.
Cenário com seguro mais competitivo
| Despesa | Valor mensal |
| Energia | R$ 108,33 |
| Revisões | R$ 61,44 |
| Seguro | R$ 190,75 |
| Subtotal | R$ 360,52 |
Cenário com seguro próximo ao valor típico da base
| Despesa | Valor mensal |
| Energia | R$ 108,33 |
| Revisões | R$ 61,44 |
| Seguro | R$ 337,08 |
| Subtotal | R$ 506,85 |
Essa diferença de quase R$ 150 por mês ocorre sem mudar carro, quilometragem ou preço da energia. Muda apenas a referência de seguro.
É uma demonstração de quanto essa despesa pode ser mais importante para o orçamento do que alguns centavos de diferença na tarifa de recarga.
O que não está nessa conta
Os subtotais de R$ 360,52 e R$ 506,85 não representam o custo completo de possuir um EX2.
Ficam de fora:
- IPVA;
- licenciamento;
- pneus;
- estacionamento;
- lavagens;
- eventuais reparos;
- instalação de wallbox;
- adequações elétricas na residência;
- recarga pública;
- juros de financiamento;
- acessórios;
- depreciação.
Algumas dessas despesas podem superar energia e revisão somadas.
Por isso, uma matéria de custo de propriedade não deve apresentar um único número mensal como se ele fosse válido para qualquer motorista.
IPVA varia conforme o estado
O IPVA foi deliberadamente mantido fora do subtotal porque não existe uma regra nacional única para carros elétricos.
Cada estado estabelece alíquota, base de cálculo e eventuais benefícios próprios. Há locais com incentivos específicos para elétricos e outros onde a cobrança ocorre normalmente.
Aplicar uma alíquota única ao país inteiro criaria uma estimativa errada para parte dos leitores.
A consulta deve ser feita na Secretaria da Fazenda da unidade da Federação onde o veículo será registrado.
Garantia: seis anos para o carro e oito para a bateria
A Geely informa garantia de seis anos ou 150 mil km para o veículo, prevalecendo o que ocorrer primeiro.
Para a bateria de tração, são oito anos ou 150 mil km.
A marca também informa cobertura para motor elétrico, inversor e componentes de alta tensão dentro das condições específicas do sistema elétrico.
O limite de quilometragem merece atenção especial de quem pretende utilizar o EX2 profissionalmente.
Um motorista que percorra 5 mil km por mês, por exemplo, acumula 60 mil km em apenas um ano. Nesse ritmo, o limite de 150 mil km é alcançado em aproximadamente dois anos e meio, muito antes do prazo cronológico máximo.
Oferta atual do Max inclui recarga, mas benefício é temporário
A condição comercial disponível para o EX2 Max neste fim de agosto inclui 1.500 kWh de recarga no Charge Pass da Mobilize.
A própria Geely anuncia o benefício como suficiente para rodar até aproximadamente 11 mil km sem custo de energia dentro das condições da promoção.
Esse crédito pode reduzir bastante o gasto inicial de um comprador contemplado pela campanha, mas não deve ser incorporado ao cálculo permanente de custo de propriedade.
É uma vantagem comercial temporária, sujeita à vigência e às regras da oferta.
O custo estrutural do carro precisa continuar sendo analisado considerando que, depois do crédito, a energia volta a ser paga normalmente.
EX2 e Dolphin: eficiência favorece o Geely
O dado do Inmetro permite uma comparação interessante com outro elétrico de grande volume.
O EX2 registra 0,39 MJ/km. O BYD Dolphin GS aparece no PBEV com 0,42 MJ/km.
Convertidos pelo mesmo método e usando eletricidade a R$ 1/kWh:
| Modelo | Consumo PBEV | Energia para 1.000 km | Custo a R$ 1/kWh |
| Geely EX2 | 0,39 MJ/km | 108,33 kWh | R$ 108,33 |
| BYD Dolphin GS | 0,42 MJ/km | 116,67 kWh | R$ 116,67 |
A vantagem do EX2 seria de cerca de R$ 8,34 a cada 1.000 km nesse cenário.
Em 12 mil km, a diferença ficaria próxima de R$ 100.
É uma eficiência melhor, mas também mostra algo importante: a diferença de consumo entre elétricos eficientes costuma pesar menos no orçamento do que seguro, preço de compra ou depreciação.
O concorrente mais barato também merece entrar na conta
O BYD Dolphin Mini já passou pelo mesmo levantamento de custo de propriedade no Portal N10.
Comparar apenas o preço da energia não resolve a escolha entre eles. O EX2 tem 116 cv, tração traseira, porta-malas traseiro de 375 litros e compartimento adicional de 70 litros sob o capô. O Dolphin Mini ocupa uma faixa de preço inferior e possui outra proposta de tamanho e desempenho.
É justamente por isso que o custo de propriedade precisa ser analisado junto com quanto se paga pelo carro e o que cada modelo entrega em troca.
O EX2 também terá uma particularidade industrial importante. A Geely já confirmou que o modelo será produzido no Brasil na fábrica da Renault, no Paraná, dentro da expansão da parceria entre as duas fabricantes.
Até lá, os veículos vendidos no país continuam importados.
Onde o EX2 pesa — e onde custa pouco
Nos números atuais, eletricidade não é a parte preocupante da conta.
Mesmo com uma tarifa relativamente elevada de R$ 1,20 por kWh, percorrer 1.000 km pelo consumo homologado representa aproximadamente R$ 130.
As revisões também mantêm custo controlado nos primeiros anos, embora o serviço de 80 mil km provoque uma alta pontual relevante.
O seguro é mais imprevisível e pode facilmente custar duas ou três vezes aquilo que o proprietário desembolsa mensalmente com recarga. IPVA, depreciação e financiamento podem ampliar ainda mais essa diferença.
Com preços, consumo e manutenção disponíveis hoje, o EX2 apresenta uma estrutura clara: é barato para rodar e relativamente previsível nas revisões; o custo final da propriedade dependerá muito mais de seguro, tributação, desvalorização e forma de compra do que da energia colocada na bateria.
