Resumo da Notícia
As marcas chinesas já deixaram de ser aposta futura no mercado brasileiro. Hoje, entre fabricantes e submarcas, já aparecem por aqui BYD, GWM, JAC, Changan, Chery, Zeekr, Omoda Jaecoo, Jetour, Avatr, Denza, Foton, MG Motor, Leapmotor e Geely.
Mas quando o assunto é volume real de vendas, o cenário de 2025 mostra uma hierarquia bem definida, com uma líder muito acima das demais, um bloco intermediário já consolidado e um grupo que ainda tenta ganhar escala.
O levantamento traz os dados de 2025 e ainda ganha força quando se observa o começo de 2026. Nos dois primeiros meses deste ano, a BYD já aparece na 5ª posição no ranking geral das montadoras, com mais de 22 mil carros comercializados. Na sequência entre as chinesas surgem GWM (9.313), Chery (6.949), Omoda Jaecoo (3.523) e Geely (1.759). É um retrato que confirma o avanço dessas marcas no país, mas também deixa claro que algumas já abriram vantagem importante.
Os dados são da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) e da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). Confira:
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1. BYD: a líder absoluta entre as chinesas

Em 2025, a BYD foi, de forma disparada, a marca chinesa que mais vendeu carros no Brasil. Foram 112.814 unidades, número que colocou a fabricante na 8ª posição geral entre automóveis e comerciais leves. Quando o recorte considera apenas carros de passeio, a marca sobe para o 7º lugar, ficando à frente de nomes tradicionais da indústria, como Honda, Renault e Nissan.
A linha Song foi a grande responsável por esse desempenho, com mais de 42 mil unidades dos SUVs. Logo depois veio o Dolphin Mini, que se consolidou como o carro elétrico mais vendido do país, com 32.459 registros. O terceiro lugar dentro da própria marca ficou com o Dolphin, que superou 15 mil exemplares. O que esses números mostram é que a BYD não depende de um único produto: ela já tem profundidade de portfólio e força de volume em segmentos diferentes.
2. Caoa Chery: a vice-líder com operação já amadurecida

A Caoa Chery terminou 2025 com 71.433 unidades, resultado que garantiu à marca sino-brasileira a 11ª posição no ranking geral. A fabricante já opera há mais tempo no país em parceria com a Caoa, e isso aparece no volume, na capilaridade e na consistência da sua linha.
O modelo que puxou a fila foi o Tiggo 7X, com 38.438 unidades, ou seja, mais da metade de tudo o que a marca emplacou no ano. Na sequência vieram o Tiggo 8, com 17.883, e o Tiggo 5X, com 13.670, ainda antes da recém-reestilização. O dado mais relevante aqui é que a Caoa Chery já não depende apenas de presença de marca: ela encontrou nos SUVs Tiggo uma base sólida de mercado.
3. GWM: Haval H6 carrega a marca nas costas

A GWM fechou 2025 com 42.784 unidades e terminou como a 13ª marca no ranking geral. O volume é expressivo, mas também deixa muito claro quem sustentou a operação da empresa no Brasil: o Haval H6. O SUV médio híbrido somou 31.964 unidades, o equivalente a quase 75% de todas as vendas da marca.
Os demais produtos aparecem bem abaixo, mas ajudam a compor a presença da fabricante. O Tank 300 e o hatch elétrico Ora 03 venderam cerca de 3.500 unidades cada um, enquanto a picape média a diesel Poer registrou 1.280 licenciamentos. A GWM também anunciou sua segunda fábrica no Brasil, além da já instalada em Iracemápolis (SP), o que mostra que a empresa está operando com horizonte de expansão.
4. Omoda Jaecoo: chegada tardia, mas volume já relevante

Jaecoo 7
A Omoda Jaecoo, marca ligada ao Grupo Chery, foi uma das primeiras da nova leva chinesa a anunciar presença no Brasil, embora sua operação tenha demorado para se concretizar. Mesmo assim, fechou 2025 com 7.219 unidades emplacadas, resultado relevante para uma marca ainda em fase de construção de rede e imagem.
O principal nome da operação foi o Jaecoo 7, que emplacou quase 5 mil unidades. Apostando em consumo e custo-benefício, o SUV híbrido plug-in terminou o ano como o 50º automóvel mais vendido do Brasil. Com quatro produtos entre elétricos, híbridos convencionais e híbridos plug-in, a marca já dá sinais de que quer ocupar um espaço importante no mercado de eletrificados.
5. GAC: entrada recente e ambição de crescer rápido

O Guangzhou Automobile Group (GAC) chegou ao Brasil em meados do ano passado com cinco modelos, sendo um híbrido e quatro elétricos. Em apenas seis meses, conseguiu 3.638 unidades, número que lhe deu presença acima de algumas marcas que já vinham sendo discutidas há mais tempo.
O destaque foi o híbrido GS4, responsável por metade do share da fabricante, com quase 2 mil registros. Para 2026, a empresa aposta no recém-lançado GS3, um SUV compacto com porte de médio, motorização somente a gasolina e preço de R$ 129.990. A estratégia é clara: buscar volume. A partir de 2027, o GS3 deve ser produzido na fábrica da Mitsubishi em Catalão (GO), dentro da estrutura da HPE Automotores, que também opera a Suzuki no Brasil. A GAC ainda ampliou sua exposição ao anunciar patrocínio ao Flamengo.
6. Geely: volume pequeno, mas reação forte com o EX2

A Geely encerrou 2025 com 3.370 unidades, muito puxada pelo EX2. Mesmo estreando só no fim de outubro, o compacto elétrico registrou cerca de 2.500 unidades nos dois últimos meses do ano, desempenho que explica boa parte do resultado da marca.
O restante veio do EX5, SUV também elétrico lançado antes, em julho, que não chegou a mil emplacamentos. O bom desempenho do EX2 abriu caminho para a possibilidade de produção local. A marca tem parceria com a Renault no Brasil, e o hatch pode sair das linhas de montagem de São José dos Pinhais (PR), ao lado da futura versão híbrida do EX5, que já teve a nacionalização confirmada. Esse avanço está ligado a um investimento de R$ 3,8 bilhões da marca chinesa no país.
7. Zeekr: operação de nicho, mas com produto bem definido

A Zeekr, que pertence ao Grupo Geely, o mesmo grupo da Volvo, registrou 571 unidades em 2025. Ainda é um volume modesto, mas suficiente para mostrar que a marca já começou a encontrar algum espaço dentro de uma faixa mais específica do mercado.
O produto mais vendido foi o SUV Zeekr X, com quase 300 exemplares. O número ainda é pequeno diante das líderes, mas a Zeekr tem uma proposta menos massificada e mais voltada a posicionamento de marca, o que ajuda a explicar uma trajetória inicial mais contida.
8. JAC Motors: base sustentada quase toda por um único modelo
A JAC Motors aparece no levantamento da ABVE com uma média próxima de 600 carros em 2025, ficando no grupo de marcas que ainda operam em escala reduzida. O dado mais importante aqui é que o volume da marca ficou concentrado quase todo em um único produto.
Esse modelo é o E-JS1, compacto elétrico que aparece com força especialmente entre motoristas de aplicativos. A JAC, portanto, não figura entre as líderes em volume, mas mantém presença a partir de um carro que conversa diretamente com um público de uso intensivo e racional.
9. Leapmotor: versão de autonomia estendida foi a preferida
A Leapmotor, controlada pela Stellantis, também ficou numa média próxima de 600 carros em 2025. No caso da marca, o destaque absoluto foi o C10, seu único modelo citado no levantamento.
Dentro desse volume, a preferência ficou fortemente concentrada na variante elétrica com autonomia estendida, a REEV, que respondeu por quase 80% das escolhas, superando com folga a opção totalmente elétrica. É um dado que ajuda a entender o comportamento do consumidor: mesmo dentro do universo eletrificado, a solução de autonomia estendida ainda desperta maior confiança em parte do mercado.
O ranking deixa uma verdade clara sobre o mercado
O cenário de 2025 e o começo de 2026 mostram uma divisão muito nítida entre as chinesas no Brasil. BYD lidera com ampla folga. Caoa Chery e GWM formam um segundo bloco forte. Omoda Jaecoo, GAC e Geely tentam ampliar presença com estratégias próprias e produtos que já começaram a responder. E Zeekr, JAC e Leapmotor ainda operam em escala menor, embora já tenham modelos claramente identificados com suas vendas.
Não é mais uma invasão tímida. É uma disputa organizada, com marcas em estágios diferentes de maturação, mas com peso crescente na fotografia do mercado brasileiro.
