Resumo da Notícia
A promessa das baterias de estado sólido segue como um dos capítulos mais aguardados da eletrificação global, mas também um dos mais cautelosos. Entre avanços técnicos e decisões industriais, o setor começa a admitir que o salto definitivo exige mais tempo, testes e ajustes do que o discurso inicial sugeria.
É nesse contexto que a montadora estatal chinesa Dongfeng decidiu recalibrar seu cronograma. A produção em massa das baterias totalmente de estado sólido, antes prevista para 2026, foi oficialmente adiada para 2027, enquanto a tecnologia continua sendo avaliada em veículos de teste.
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A aposta da empresa está concentrada na plataforma Mach Super-kV Pure Electric, que reúne soluções de ponta. A arquitetura opera com alta tensão de 1.200 volts, módulo de potência de 1.700 volts em SiC e carregamento ultrarrápido de até 2 MW em um único conector.
Na prática, isso significa desempenho fora do padrão atual. Um carro elétrico baseado nessa estrutura é capaz de recuperar cerca de 2,5 quilômetros de autonomia por segundo de carga, além de contar com motor elétrico que gira a até 30 mil rpm e alcance superior a mil quilômetros.
O coração do sistema é uma bateria com densidade energética de 350 Wh/kg. Ela combina cátodo ternário, ânodo de silício-carbono e eletrólito sólido à base de polímero de óxido, mantendo 72% da capacidade mesmo a –30 °C.
Em termos de segurança, os testes também chamam atenção. As células resistiram a ensaios em câmara térmica a 170 °C, um patamar que reforça a confiabilidade do conjunto em condições extremas de uso e armazenamento.
Apesar dos avanços, a Dongfeng reconhece que ainda há decisões estratégicas em aberto. A equipe de pesquisa e desenvolvimento discute rotas tecnológicas, controle de custos e, principalmente, o ritmo mais realista de industrialização dessa nova geração de baterias.
Durante uma visita recente, diretores externos puderam dirigir um sedã Dongfeng eπ 007 equipado com a bateria de estado sólido e acompanhar inspeções nas linhas piloto. A empresa mantém uma unidade experimental de 0,2 GWh e segue confiante, agora com a meta clara de transformar o laboratório em fábrica a partir de 2027.


