Resumo da Notícia
Poucos dias após o vendaval devastar Porto Feliz (SP), a Toyota já admite que suas linhas de produção no Brasil podem permanecer paradas até 2026. O estrago na fábrica de motores foi tão grave que atingiu não só a estrutura física, mas também o coração da operação da montadora no país.
O galpão, atingido por ventos que chegaram a 90 km/h, teve parte do telhado arrancada e equipamentos de alta precisão inutilizados. Telhas foram arremessadas a quilômetros de distância e a água invadiu setores sensíveis, paralisando imediatamente a linha de montagem.
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Com a produção de motores comprometida, a Toyota suspendeu as atividades também em Sorocaba e Indaiatuba. Nessas fábricas são montados modelos estratégicos como Corolla, Corolla Cross, Yaris e o inédito Yaris Cross, cujo lançamento, previsto para outubro, foi adiado.
A situação é ainda mais delicada porque Porto Feliz produz os propulsores 2.0 Dynamic Force, que equipam Corolla e Corolla Cross, além do 1.5 usado no Yaris de exportação. A fábrica também estava pronta para iniciar a produção da versão híbrida flex.
Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos, a comparação mais precisa é a de um carro em “perda total”. O processo de recuperação exigirá reconstrução praticamente do zero. “É improvável que a Toyota volte a produzir este ano”, afirmou Leandro Soares.
Cerca de 4,6 mil trabalhadores foram atingidos pela paralisação, mas os empregos foram garantidos em acordo com a montadora. Haverá férias coletivas seguidas de layoff entre dois e cinco meses, com salários preservados integralmente até R$ 4,5 mil.
Mesmo diante do caos, a prioridade foi a segurança. A Toyota confirmou que não houve vítimas fatais, apenas 30 feridos leves. A empresa ressaltou em comunicado que oferece suporte aos colaboradores e mantém diálogo permanente.
A paralisação coloca em risco não apenas o mercado interno, mas também exportações de motores para América Latina e Estados Unidos. Em 2024, a Toyota produziu mais de 200 mil veículos no Brasil e ocupa a quinta posição entre.
O episódio expõe a vulnerabilidade das montadoras a eventos climáticos extremos, cada vez mais frequentes. Para a Toyota, o desafio agora é reconstruir sua base produtiva enquanto tenta segurar prazos de lançamentos e manter sua relevância em um setor.


