Resumo da Notícia
A chegada do primeiro lote do Geely EX5 EM-i ao porto de Paranaguá (PR) marca um passo concreto na ofensiva da marca chinesa no mercado brasileiro.
O SUV híbrido plug-in, apresentado durante o Salão do Automóvel de São Paulo, em novembro de 2025, será lançado em breve no país e começa sua trajetória nacional ainda na condição de importado. A fase seguinte já está desenhada: a produção local está prevista para o segundo semestre, no Complexo Industrial Ayrton Senna, no Paraná.
O movimento tem peso estratégico porque o EX5 EM-i não chega apenas como mais um utilitário eletrificado. Ele entra como peça importante da ampliação do portfólio da Geely no Brasil e como parte visível de um plano mais amplo de nacionalização e ganho de presença industrial. O projeto está inserido em um investimento de R$ 3,8 bilhões da joint venture Geely-Renault, com foco na produção local a partir de 2026. Em outras palavras, o desembarque do primeiro lote não é um ato isolado de logística: é o início de uma operação com ambição de escala.
SUV aposta em autonomia elevada, recarga rápida e proposta tecnológica
O Geely EX5 EM-i combina um motor 1.5 a gasolina com um motor elétrico, entregando 259 cv de potência combinada. É um conjunto que tenta dialogar com o consumidor que quer eletrificação sem abrir mão de alcance mais amplo e flexibilidade de uso. A proposta fica ainda mais evidente quando se observa a autonomia anunciada: o modelo pode rodar mais de 100 km em modo puramente elétrico e superar 1.000 km de autonomia total.
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Esse é um dado central para o posicionamento do SUV, porque ajuda a colocá-lo num ponto de equilíbrio entre eficiência e usabilidade prática. O uso de baterias LFP reforça essa leitura, enquanto a presença de recarga rápida em corrente contínua de até 100 kW amplia o apelo do modelo para quem não quer depender apenas de recargas lentas no cotidiano.
A Geely também destaca a presença da tecnologia de bateria Short Blade, além de duas funções que ampliam o uso do veículo para além da locomoção. O EX5 EM-i conta com V2L (Vehicle to Load) e V2V (Vehicle to Vehicle), recursos que permitem usar o carro como fonte de energia para equipamentos externos ou até para outros veículos. Num segmento em que cada vez mais marcas tentam vender experiência de uso e não apenas deslocamento, esse tipo de funcionalidade ajuda a dar identidade própria ao produto.
Arquitetura GEA é tratada como base da proposta do modelo

O SUV é produzido sobre a arquitetura GEA (Global Intelligent Electric Architecture), apresentada como uma base voltada à integridade estrutural, ao melhor aproveitamento de espaço interno e à eficiência energética superior. A proposta da plataforma está ligada a veículos de emissões zero e baixas, o que ajuda a situar o EX5 EM-i dentro da estratégia mais ampla de eletrificação da marca.
Na prática, isso significa que a Geely tenta vender o modelo não apenas pelo trem de força híbrido, mas também por uma construção de produto orientada a desempenho estrutural, racionalidade de espaço e condução eficiente. Em um mercado em que muitos SUVs eletrificados disputam atenção pelo conjunto tecnológico, esse tipo de discurso técnico funciona como peça importante de diferenciação.
Marca coloca o modelo no centro da expansão no país
O peso do EX5 EM-i dentro da estratégia brasileira da marca foi resumido por Alex Chen, diretor comercial da Geely. Na avaliação do executivo, o modelo chega para ampliar a atuação da fabricante por aqui com um pacote que reúne autonomia, tecnologia, conectividade e segurança.
“Estamos muito felizes com a chegada do Geely EX5 EM-i no Brasil! O modelo é muito importante na estratégia da marca e chega para ampliar o portfólio da Geely no país, oferecendo um design aerodinâmico, eficiência inteligente e ambiente conectado aliado ao DNA de segurança Geely para os ocupantes que buscam um SUV tecnológico e com muita autonomia”, comemora.
A fala reforça uma linha bastante clara: o EX5 EM-i não está sendo tratado como produto periférico. Ele chega ao mercado brasileiro com a função de fortalecer a imagem da Geely em um território onde tecnologia embarcada, eletrificação e percepção de valor passaram a ser fatores decisivos para crescimento.
EX2 também desembarca em meio à expansão da marca no país
Junto ao primeiro lote do EX5 EM-i, a Geely recebeu em Paranaguá mais um dos vários lotes do Geely EX2 que chegaram ao país neste mês. O objetivo é atender à demanda crescente pelo hatch 100% elétrico no mercado local. Esse dado é relevante porque mostra que a marca não está operando apenas na expectativa em torno de um novo SUV, mas também tentando sustentar volume com um produto que já encontrou espaço comercial.
O EX2 aparece com um cartão de visita de peso: é descrito como líder de vendas na China e também como o veículo compacto 100% elétrico mais vendido no mundo. A coexistência entre EX2 e EX5 EM-i ajuda a Geely a montar uma presença mais ampla, cobrindo diferentes perfis de consumidor e reforçando a leitura de que a fabricante quer se consolidar com portfólio diversificado.
Geely acelera expansão global com foco em eletrificação
A base dessa ofensiva no Brasil se conecta ao tamanho global da companhia. O Geely Auto Group, com sede em Hangzhou, na China, foi fundado em 1986 e integra o Zhejiang Geely Holding Group. A empresa desenvolve e fabrica veículos de passageiros sob as marcas Geely, Lynk & Co e Zeekr.
Em 2025, a Geely Auto alcançou 3.024.567 unidades vendidas acumuladas, superando sua meta anual com crescimento de 39%. Dentro desse resultado, as vendas de veículos de nova energia (NEV) chegaram a 1.687.767 unidades, o que representou alta anual de 90%. É um avanço que ajuda a entender por que a empresa insiste em ampliar sua presença internacional por meio de parcerias estratégicas, operações localizadas e plataformas voltadas à mobilidade sustentável.
Com atuação em centros de pesquisa e desenvolvimento e instalações industriais na China, Europa e mercados internacionais relevantes, o grupo reforça sua aposta em sistemas híbridos, arquiteturas totalmente elétricas, conectividade inteligente e condução autônoma. No Brasil, o desembarque do EX5 EM-i funciona como mais um capítulo dessa estratégia global, agora com a ambição de unir importação inicial, produção local e construção de marca em um mercado cada vez mais aberto aos eletrificados.
