Resumo da Notícia
A BYD resolveu transformar o mar em estrada para os seus carros. Em menos de dois anos, a montadora chinesa montou uma frota de oito navios próprios, todos do tipo Ro-Ro, que permitem que os veículos embarquem e desembarquem rodando. O movimento reforça a internacionalização da marca em um momento em que o mercado doméstico mostra sinais de enfraquecimento.
O último a se juntar ao grupo foi o BYD Jinan, inaugurado na semana passada com capacidade para 9.200 automóveis. Ele se soma a cargueiros como Shenzhen, Xi’an e Changsha, também de grande porte, e ao pioneiro Explorer No. 1, entregue em janeiro de 2024, que transporta 7 mil unidades.

Com a frota completa, a empresa alcança uma capacidade de exportação de mais de 1 milhão de veículos por ano, o equivalente a 64.800 carros de uma só vez. Só o BYD Zhengzhou, com 7 mil unidades, entrou para a história ao realizar a primeira viagem de modelos produzidos fora da China, embarcando da Tailândia para o Reino Unido.
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A escolha da Tailândia não é por acaso, pois diferentemente da China, o país não sofre as tarifas extras impostas pela União Europeia a veículos elétricos chineses. A operação ganha peso estratégico, já que a planta tailandesa produz versões com volante à direita, destinadas a mercados como Reino Unido e Austrália.
O Brasil também está no roteiro, em maio de 2025, o navio BYD Shenzhen desembarcou em Itajaí (SC) mais de 7.200 unidades, entre Song Pro, novo Song Plus e Song Plus Premium. A operação envolveu 130 caminhões-cegonha, 500 trabalhadores e uma logística que movimentou até 100 veículos por hora.

As embarcações não se limitam à Ásia e à América do Sul. Dados de monitoramento marítimo mostram escalas recentes em portos da Europa, como Antuérpia e Barcelona. Atualmente, o Hefei descarrega no continente antes de retornar à China, enquanto o Xi’an segue em direção à Espanha.
A BYD investiu cerca de R$ 3 bilhões nessa estrutura, que permite reduzir custos logísticos e ampliar competitividade em mercados sensíveis a preço. Todos os cargueiros contam ainda com propulsão híbrida, que combina óleo combustível, gás natural e baterias de grande porte.
A ofensiva global não para no transporte marítimo, pois há operações na Tailândia e no Brasil, a BYD prepara fábricas no Paquistão e na Hungria, embora esta última só entre em produção em 2026. No Uzbequistão, a montagem local já começou em 2024.

Só em agosto, as vendas internas caíram 22%, para 284 mil unidades, enquanto as exportações saltaram 157%, chegando a 80,8 mil veículos. Entre janeiro e setembro de 2025, a BYD já comercializou 697 mil carros fora da China e se aproxima da meta de 1 milhão de exportações neste ano — o equivalente a 20% de suas vendas globais.
