Resumo da Notícia
O Move Brasil começa nesta sexta-feira (19) a etapa de contratação dos financiamentos para compra de carros novos por taxistas e motoristas de aplicativo. Na prática, quem já teve o cadastro aprovado pelo governo federal pode procurar concessionárias e instituições financeiras participantes para pedir o crédito.
As condições foram definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e confirmadas pelo presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. As taxas serão de 12,6% ao ano para homens e 11,5% ao ano para mulheres, abaixo da Selic, atualmente em 14,25% ao ano.
O programa foi viabilizado por uma medida provisória assinada pelo presidente Lula, que autoriza o Ministério da Fazenda a repassar R$ 30 bilhões ao BNDES para bancar as operações.
O crédito é voltado a taxistas e motoristas de plataformas como Uber e 99. No caso dos aplicativos, é preciso ter feito ao menos 100 corridas em um ano, o equivalente a cerca de duas viagens por semana. A regra funciona como um filtro para direcionar a linha a quem realmente trabalha na atividade, e não a interessados apenas em acessar um empréstimo mais barato.
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Antes da contratação, o motorista precisa entender duas etapas diferentes: a aprovação no cadastro do governo e a análise feita pelo banco. O Portal N10 já mostrou a lista de carros que podem ser financiados no Move Brasil por taxistas e motoristas de app, incluindo modelos que podem se enquadrar no limite de R$ 150 mil. Agora, o ponto principal é saber onde contratar, como se cadastrar e quais cuidados tomar para não transformar o benefício em dívida pesada.
Quais bancos vão operar o Move Brasil
O C6 Bank confirmou que vai operar a linha. O banco informou que começará a receber pedidos em 26 de junho. As taxas serão as do teto do programa: 12,6% ao ano para homens e 11,5% ao ano para mulheres.
A exigência de entrada e de documentos dependerá da análise de crédito de cada cliente.
“Feita de forma on-line, a análise de crédito, na maior parte dos casos, ocorre em até um minuto”, disse o banco em nota.
O Santander também vai trabalhar com o crédito por meio da Santander Financiamentos. A instituição deve começar a receber propostas na próxima semana, seguindo o calendário do programa.
As condições serão exibidas durante a simulação. A contratação ficará sujeita à elegibilidade do cliente e do veículo, à análise de crédito e ao envio da documentação exigida.
“As condições serão apresentadas durante a simulação, e a contratação estará sujeita à elegibilidade do cliente e do veículo, à análise de crédito e ao envio da documentação exigida na jornada, incluindo documentos pessoais, comprovação de elegibilidade ao programa e documentação do veículo”, esclareceu o Santander em nota.
O Itaú Unibanco informou que não vai aderir à linha. O banco citou questões de cronograma operacional e afirmou que seu teto de garantias no FGI já está integralmente alocado e consumido por outras modalidades de crédito, como Renova Frota, FGI Capital de Giro, Pronampe e Desenrola.
“Em relação à nova linha voltada a motoristas de aplicativo e taxistas, o banco optou por não aderir a este desenho específico por questões de cronograma operacional e pelo fato de seu teto de garantias do FGI já estar integralmente alocado e consumido pelo fluxo atual de outras modalidades”, afirmou a instituição financeira.
O Bradesco preferiu não se manifestar. Nubank, BTG Pactual, Banco Inter, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal foram procurados, mas não responderam até o fechamento.
Ter cadastro aprovado não garante o financiamento
A aprovação no sistema do governo é apenas a porta de entrada. O financiamento só sai depois da análise do banco. Isso vale inclusive para quem tem o cadastro aprovado no Move Brasil, escolheu o veículo e já tem proposta em concessionária.
A situação de quem está com o nome negativado é um dos pontos mais sensíveis. A medida provisória incluiu taxistas e motoristas de aplicativo no Fundo Garantidor para Investimentos (FGI-PEAC), do BNDES. O fundo pode cobrir até 80% do risco de cada operação.
Isso ajuda a reduzir o risco para o banco e pode ampliar o acesso ao crédito. Mas não significa perdão de dívida nem aprovação automática. Se houver inadimplência, a dívida continua sendo do motorista.
Para quem trabalha com renda variável, o maior risco pode não estar apenas no juro, mas no tamanho da prestação. A avaliação é de Rodolfo Takashi, CEO da Gooroo Crédito, fintech especializada em crédito para o trabalhador.
“Para um motorista sem renda fixa, a pergunta principal não deveria ser ‘quanto o banco aprova?’, mas sim ‘qual carro o meu faturamento consegue sustentar, mesmo nos meses mais difíceis?’”, afirma.
Takashi recomenda que o motorista faça a conta pela pior semana, não pela melhor. Se a renda líquida varia entre R$ 3.500 e R$ 7 mil por mês, a parcela precisa caber com folga no cenário de R$ 3.500.
Como regra geral, ele orienta que a prestação não passe de 15% a 20% da renda líquida média.
Outro cuidado é não financiar o valor máximo apenas porque o programa permite veículos de até R$ 150 mil. Para o especialista, um carro mais barato pode gerar praticamente a mesma receita em plataformas como Uber e 99.
“Um veículo de R$ 100 mil pode gerar praticamente a mesma receita em aplicativos como Uber e 99 do que um veículo de R$ 150 mil. O custo adicional não necessariamente se traduz em maior rentabilidade”, diz.
Takashi também orienta o motorista a encarar a prestação como um custo fixo da atividade, semelhante ao aluguel do carro. Segundo ele, não se deve confundir faturamento com renda, já que combustível, manutenção, lavagem e seguro reduzem o ganho líquido.
“O risco está em assumir uma parcela baseada nos meses de maior faturamento e descobrir, nos meses mais fracos, que o carro pertence mais ao banco do que ao motorista”, resume.
Na avaliação do especialista, o Move Brasil pode valer a pena principalmente para quem hoje gasta muito com aluguel de veículo, desde que a escolha seja pelo carro mais econômico capaz de gerar a mesma receita.
Quantos já se inscreveram
O governo não informou o número atualizado de cadastrados e aprovados no programa.
O dado mais recente é de 3 de junho, quando o presidente da Anfavea, Igor Calvet, afirmou que as inscrições no Move Brasil já chegavam a 600 mil.
Prazo para contratar
As contratações precisam ocorrer até 22 de julho de 2026, data final de vigência da medida provisória que sustenta o programa.
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e o BNDES foram procurados, mas não esclareceram o que acontece com o motorista que pedir o financiamento dentro do prazo e tiver a análise de crédito concluída pelo banco apenas depois dessa data.
Como solicitar o financiamento do Move Brasil

A primeira etapa é acessar a plataforma gov.br/movebrasil e procurar a opção de cadastro com a conta Gov.br.
Depois, o motorista deve informar o CPF e a senha da conta. Na página seguinte, precisa clicar em “Solicitar adesão”.
O sistema pedirá que o interessado informe se é taxista, motorista 99 ou motorista Uber. Em seguida, é necessário ler e aceitar o termo de consentimento e concluir a solicitação.
Com o pedido feito, o perfil entra em análise. O governo federal valida as informações junto às plataformas ou aos órgãos responsáveis.
No caso dos motoristas de aplicativo, a checagem é feita diretamente com a plataforma. Para taxistas, a validação ocorre por meio da Receita Federal. Eles devem autorizar que o órgão envie às instituições financeiras a confirmação do registro como taxista e permita a aplicação das condições do programa.
O prazo de resposta é de até cinco dias úteis. O motorista será informado pela caixa postal do Gov.br e por mensagem de WhatsApp.
Quem receber a confirmação de participação poderá procurar concessionárias e instituições financeiras participantes para passar pelas etapas de análise de crédito e avaliação de viabilidade do financiamento.
