Resumo da Notícia
O escândalo do dieselgate, que há anos marcou a indústria automotiva com a Volkswagen, voltou a chamar atenção, desta vez envolvendo a Mercedes-Benz. A montadora alemã fechou um acordo bilionário nos EUA por acusações de uso de softwares para mascarar emissões de poluentes em veículos a diesel. O caso expõe novamente os desafios da fiscalização ambiental no setor automotivo.
Entre 2008 e 2017, mais de 200 mil veículos da Mercedes – incluindo sedãs, SUVs e a van Sprinter – teriam sido equipados com programas que reduziam temporariamente a emissão de óxidos de nitrogênio apenas durante testes de laboratório. Na prática, esses carros emitiriam até 40 vezes mais poluentes em condições normais de estrada.
Não perca nada!
Faça parte da nossa comunidade:
O acordo firmado com autoridades de 48 estados, Porto Rico e o Distrito de Columbia prevê o pagamento de aproximadamente US$ 150 milhões (cerca de R$ 840 milhões). Parte desse valor será destinada a programas ambientais, enquanto outra parte garante compensações aos proprietários cujos veículos passaram por reparos obrigatórios.
Cada proprietário elegível receberá US$ 2.000 caso aceite instalar as modificações aprovadas no sistema de emissões. Além disso, a Mercedes se comprometeu a oferecer garantias estendidas, implementar ações preventivas e fornecer relatórios periódicos sobre o andamento das correções, evitando futuras irregularidades.
As investigações revelaram que a montadora também divulgava seus modelos como “limpos” ou de baixíssima emissão, induzindo consumidores ao erro. A procuradora-geral de Nova York, Letitia James, destacou que os veículos nunca deveriam ter recebido certificação ambiental para venda, reforçando a gravidade da fraude.
Apesar do impacto financeiro do acordo, a empresa afirma que a medida não afetará seus lucros, pois já havia provisionado os custos necessários. A Mercedes mantém que as acusações são infundadas, mas considera que o entendimento evita ações judiciais demoradas e dispendiosas nos Estados Unidos.
Além da compensação direta aos clientes, o acordo destina US$ 13,5 milhões ao combate à poluição atmosférica em Nova York e prevê penalidades condicionadas, que variam conforme cada veículo seja reparado, recomprado ou retirado de circulação. O prazo para adesão dos proprietários vai até setembro de 2026.
Desde 2020, a Mercedes vem resolvendo gradualmente as ações civis ligadas ao dieselgate, incluindo um programa de modificações já aplicado em mais de 85% dos veículos afetados. O episódio reforça que, mesmo marcas de luxo, precisam enfrentar com rigor a transparência e a responsabilidade ambiental.


