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Governo renova cota para carros elétricos sem imposto e diz mirar “melhores preços”

A decisão acontece em um momento de disputa no mercado de veículos elétricos. Empresas chinesas, como BYD e Geely, já iniciaram projetos para produzir no Brasil.
Carros elétricos no Brasil
Carros elétricos no Brasil - Crédito: NVB Stocker / Adobe Stock

Resumo da Notícia

  • O governo federal renovou por seis meses a cota de importação com isenção de imposto para carros elétricos desmontados e semimontados.
  • A medida, que entra em vigor em 1º de julho de 2026, estabelece um limite de US$ 463 milhões para a entrada desses veículos e kits.
  • O objetivo declarado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior é evitar aumentos de preços ao consumidor final.
  • A Anfavea criticou a decisão, alegando que a medida foi tomada sem consulta ao setor produtivo e prejudica o planejamento de investimentos locais.
  • A renovação ocorre em um cenário de expansão de montadoras chinesas no Brasil e pressão sobre as fabricantes tradicionais.

O governo federal decidiu manter por mais seis meses uma cota de importação sem imposto para carros elétricos desmontados e semimontados. A medida vale a partir de 1º de julho de 2026 e permite a entrada de até US$ 463 milhões em veículos e kits sem cobrança do imposto de importação, dentro das regras definidas pela Câmara de Comércio Exterior.

A decisão foi tomada na terça-feira (23) pelo Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex) e provocou reação imediata das montadoras nacionais. Para o governo, a renovação ajuda a evitar aumento de preço dos elétricos no Brasil. Para a indústria instalada no país, a mudança mexe em uma política que já havia sido definida após negociação com o setor.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Márcio Fernando Elias Rosa, afirmou nesta quarta-feira (24) que a renovação não foi pensada para prejudicar a produção nacional, mas para favorecer o consumidor.

O governo federal tomou a decisão ontem [terça] não foi para causar danos para a produção indústria nacional, mas foi para favorecer sobretudo o consumidor, o mercado. E não ignorando que temos de ter uma série de medidas para acomodar todos os interesses, que são legítimos”, disse o ministro ao programa “Bom dia, Ministro”, da EBC.

A cota renovada alcança veículos elétricos importados em formato CKD e SKD, modelos usados pela indústria para montagem local a partir de kits desmontados ou semimontados.

Na prática, esses veículos poderão entrar no país sem imposto de importação até o limite financeiro definido pelo governo. O benefício vale por seis meses, a partir de julho.

Ponto da medidaO que foi definido
Produto alcançadoCarros elétricos desmontados e semimontados
Valor da cotaUS$ 463 milhões
Início1º de julho de 2026
PrazoSeis meses
Órgão que decidiuGecex/Câmara de Comércio Exterior
Objetivo declaradoSegurar preços e favorecer o consumidor

Segundo o ministro, a preocupação do governo é equilibrar o avanço da eletromobilidade, os preços ao consumidor e a proteção à indústria brasileira.

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Precisamos garantir os melhores preços aos consumidores, na medida do possível. A indústria [automotiva] é essencial ao país, são mais de 110 mil empregos diretos”, acrescentou.

Medida ocorre enquanto chinesas avançam no Brasil

A decisão acontece em um momento de disputa no mercado de veículos elétricos. Empresas chinesas, como BYD e Geely, já iniciaram projetos para produzir no Brasil. Ao mesmo tempo, a importação de modelos elétricos tem pressionado a estratégia das montadoras tradicionais instaladas no país.

O ponto sensível é que a cota sem imposto reduz custos de entrada para veículos e kits importados, o que pode ajudar a manter preços mais competitivos no varejo. Por outro lado, a indústria nacional argumenta que a medida altera o planejamento feito para atrair investimento produtivo de longo prazo.

O tema ganhou peso adicional por ocorrer em ano eleitoral, com impacto potencial sobre consumidores, montadoras, trabalhadores e empresas de autopeças.

Anfavea critica decisão e fala em prejuízo ao setor

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) reagiu em nota e classificou a decisão como “contrária aos interesses dos trabalhadores, das fabricantes nacionais de veículos e das empresas brasileiras de autopeças”.

A entidade também afirmou que a renovação foi feita sem consulta prévia ao setor produtivo.

A decisão, tomada sem consulta ao setor produtivo, altera de forma intempestiva uma política definida pelo próprio Governo Federal, que teve como objetivo combinar a expansão da eletromobilidade no Brasil com a atração de investimentos produtivos de longo prazo para o país”, disse a associação.

A Anfavea lembrou ainda que as cotas para importação de kits de veículos elétricos haviam terminado em fevereiro de 2026, conforme regra definida no ano passado depois de debate com o setor.

As cotas para importação de kits de veículos elétricos terminaram em fevereiro de 2026, conforme definido no ano passado pelo governo após longo debate com o setor produtivo”, afirmou.

Após a reação das montadoras, Márcio Elias Rosa afirmou que o governo tem adotado medidas de fortalecimento da indústria automotiva no país. Ele também citou a chegada de fabricantes de carros elétricos ao Brasil como sinal de que há instrumentos de apoio e fomento à produção nacional.

Para o ministro, a renovação da cota não deve ser lida isoladamente.

Para acalmar [a indústria nacional], é muito simples. É só olhar para o filme todo, toda história. Desde o início, o governo tem medidas de fortalecimento a indústria nacional, o governo fará tudo para que indústria continue crescendo, o diálogo sempre existirá”, concluiu.

A discussão agora fica concentrada no equilíbrio entre dois objetivos que nem sempre caminham juntos: manter carros elétricos com preços mais competitivos para o consumidor e, ao mesmo tempo, preservar previsibilidade para montadoras e fornecedores que investem na produção local.

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