Elétrico da Renault sai discretamente de linha e fortalece aposta no Geely EX2

Mesmo após atualizações e novos equipamentos, o compacto perdeu espaço para rivais mais modernos e competitivos, como o BYD Dolphin Mini e o Geely EX2.
Elétrico da Renault sai discretamente de linha e fortalece aposta no Geely EX2
Foto: Divulgação/ Renault
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Por que o Renault Kwid E-Tech saiu de linha?

A despedida do Renault Kwid E-Tech do mercado brasileiro marca mais do que o fim de um carro elétrico compacto. Ela revela a mudança de estratégia da montadora francesa diante do avanço acelerado das fabricantes chinesas no país. O hatch, que chegou como símbolo da eletrificação acessível, perdeu espaço rapidamente em um cenário dominado por modelos mais modernos, espaçosos e competitivos em preço.

A retirada do modelo aconteceu apenas sete meses depois da última reestilização apresentada pela Renault. O veículo já não aparece mais no site oficial da fabricante, que confirmou o encerramento das importações do compacto elétrico. Nos bastidores, a decisão vinha sendo desenhada desde o fortalecimento da parceria entre Renault e Geely no Brasil.

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Geely EX2 ganha espaço na estratégia da Renault

A fabricante chinesa adquiriu 26,4% das operações da Renault no país e abriu caminho para uma nova estratégia industrial. Com isso, o Geely EX2 passou a ganhar prioridade dentro da operação brasileira. O modelo chinês deve inclusive ser produzido futuramente em São José dos Pinhais, no Paraná, ampliando ainda mais sua presença no mercado nacional.

O movimento também busca evitar concorrência interna entre dois carros elétricos de proposta semelhante. Enquanto o Kwid E-Tech tentava sobreviver como opção de entrada, o EX2 chegou oferecendo mais espaço, visual mais moderno e desempenho superior. Tudo isso mantendo valores próximos aos cobrados pelos principais rivais da categoria.

Vendas mostram a distância para os rivais chineses

Os números de vendas ajudam a explicar a mudança de rumo da Renault. Entre janeiro e abril de 2026, o Kwid E-Tech registrou apenas 215 emplacamentos em todo o Brasil. No mesmo período, o Geely EX2 alcançou 6.076 unidades vendidas, enquanto o BYD Dolphin Mini disparou na liderança com impressionantes 21.647 carros comercializados.

Mesmo sendo um dos pioneiros entre os elétricos acessíveis no país, o Kwid nunca conseguiu manter ritmo competitivo diante da nova geração de modelos chineses. Desde sua estreia em abril de 2022, acumulou apenas 3.061 unidades vendidas. O resultado ficou muito abaixo das expectativas criadas quando o segmento elétrico começou a ganhar força no mercado brasileiro.

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Atualização visual não foi suficiente para manter o compacto

A atualização visual lançada em outubro de 2025 tentou reposicionar o hatch. O modelo recebeu frente renovada inspirada no Dacia Spring europeu, novas rodas, lanternas em LED e um interior completamente reformulado. A cabine passou a contar com painel digital de sete polegadas e central multimídia flutuante de dez polegadas com conexão sem fio para celulares.

O pacote tecnológico também evoluiu bastante em relação ao antigo modelo. O carro trazia frenagem autônoma de emergência, alerta de permanência em faixa, reconhecimento de placas de velocidade, sensor de fadiga, câmera de ré e sensores de estacionamento. Ao todo, eram onze assistências eletrônicas de condução, algo raro entre compactos dessa faixa de preço.

Mesmo com a modernização, a estrutura do carro mostrava limitações de origem. O Kwid E-Tech nasceu adaptado de um projeto originalmente pensado para motores a combustão. A posição das baterias sob o banco traseiro e o túnel central elevado deixavam isso evidente. Ainda assim, o hatch surpreendia pelo baixo peso de apenas 977 quilos.

O conjunto mecânico permaneceu inalterado até o fim da produção. O motor elétrico entregava 65 cavalos e 11,5 kgfm de torque, suficientes para levar o compacto aos 100 km/h em 14,6 segundos. A velocidade máxima era limitada a 130 km/h, enquanto a bateria de 26,8 kWh garantia autonomia próxima de 180 quilômetros segundo o Inmetro.

Durante muito tempo, o modelo ocupou o posto de carro elétrico mais barato do Brasil, custando menos de R$ 100 mil. Agora, esse título passa ao BYD Dolphin Mini, vendido por cerca de R$ 119 mil. Já o Geely EX2 aparece logo acima, mantendo uma faixa de preço considerada competitiva diante do avanço da eletrificação no país.

Como fica a linha elétrica da Renault no Brasil?

Com o encerramento do Kwid E-Tech, a Renault passa a ter apenas o Megane E-Tech como automóvel totalmente elétrico em sua linha nacional. O utilitário importado da Europa chegou a ser vendido em promoção por menos de R$ 200 mil, mas atualmente custa quase R$ 280 mil, posicionando-se em uma faixa muito distante do antigo compacto urbano.

Enquanto isso, a marca francesa prepara mudanças importantes para o Kwid movido a combustão. A futura linha 2027 deve ganhar visual atualizado, interior mais moderno e novos equipamentos tecnológicos. A ideia é fortalecer a disputa contra rivais como Fiat Mobi e outros compactos populares, num mercado que começa a viver uma transformação acelerada rumo à eletrificação.

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