Resumo da Notícia
O mercado chinês de baterias de lítio enfrenta um cenário de incerteza no início de 2026, com sinais claros de desaceleração. Analistas apontam que a redução de subsídios e mudanças na política tributária devem esfriar a demanda por veículos de nova energia (NEV), afetando toda a cadeia produtiva.
Nos últimos meses, diversos governos locais na China suspenderam incentivos à troca de veículos elétricos, levando a um crescimento de vendas mais modesto do que o registrado em anos anteriores. Essa desaceleração se refletiu nos números de novembro, quando as vendas de baterias chegaram a 57,1 GWh, alta de apenas 13% sobre o ano anterior.
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Apesar do crescimento, essa taxa ficou bem abaixo dos 46% observados no mesmo período do ano passado e também inferior ao aumento de 34% registrado em novembro de 2023. No acumulado de janeiro a novembro, as vendas somaram 478,7 GWh, avanço de 23% em relação a 2024, também menor que os 37% do ano anterior.
Cui Dongshu, secretário-geral da Associação Chinesa de Veículos de Passageiros (CPCA), prevê que a demanda interna por baterias caia significativamente no início de 2026. Ele atribui a queda à mudança da política de isenção de impostos para NEVs, que passará de 10% para 5%, reduzindo ainda mais o estímulo ao consumidor.
A procura por baterias nos Estados Unidos, por outro lado, teve impacto mínimo nas exportações chinesas. Os embarques para o mercado norte-americano despencaram em 2025, e mesmo com o ritmo mais forte de exportações de veículos de nova energia, o efeito sobre a demanda total por baterias será limitado.
Em resposta às flutuações do mercado, os fabricantes de baterias devem reduzir a produção ou até programar períodos de férias. No setor de veículos elétricos comerciais, a pressa para aproveitar subsídios de fim de ano acelerou as entregas, resultando em um início de 2026 mais fraco para vendas e produção.
O efeito combinado das mudanças fiscais e da retirada de incentivos aponta para uma queda de pelo menos 30% nas vendas de veículos elétricos de passageiros no início do próximo ano. Apesar disso, Cui acredita que a exportação de NEVs ainda pode oferecer algum suporte à indústria, embora insuficiente para compensar a desaceleração interna.

