Concessionárias da Stellantis na Alemanha trocam bandeira pela BYD

A BYD está avançando rapidamente na expansão de sua rede na Alemanha, com dezenas de novas lojas inauguradas em poucas semanas
Concessionárias da Stellantis na Alemanha trocam bandeira pela BYD
Foto: Divulgação

Resumo da Notícia

Pouco mais de dois anos após estrear oficialmente na Europa, a BYD já se tornou um dos nomes mais comentados da indústria automotiva do continente. A fabricante chinesa, especializada em veículos elétricos, investe em uma expansão acelerada que tem chamado a atenção tanto de concorrentes quanto de concessionários locais.

O avanço tem sido visível sobretudo na Alemanha, principal mercado europeu, onde a empresa abriu dezenas de novas lojas em poucas semanas. Se em agosto eram apenas 26 pontos de venda, hoje já passa de 50, e a meta é chegar a 120 até o fim do ano.

A BYD está avançando rapidamente na expansão de sua rede na Alemanha, com dezenas de novas lojas inauguradas em poucas semanas
Concessionárias da Stellantis na Alemanha trocam bandeira pela BYD
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Boa parte da movimentação da BYD se deve à contratação de nomes conhecidos da Stellantis, como Maria Grazia Davino, ex-diretora da divisão britânica do grupo, agora responsável pela BYD Europa, e Lars Bialkowski, antigo diretor da Stellantis Alemanha.

A mudança de executivos abriu caminho para a aproximação com antigos parceiros da Stellantis. Muitos concessionários que antes representavam Fiat, Peugeot, Citroën, Opel e Jeep agora também comercializam, ou chegaram a trocar totalmente, suas bandeiras pelos carros da BYD. O movimento gerou incômodo em Rüsselsheim, sede da Opel.

Questionados sobre o tema, Davino e Bialkowski negam qualquer aliciamento direto. Segundo eles, foram os próprios concessionários que procuraram a marca chinesa, atraídos pela perspectiva de maior rentabilidade e pela confiança no futuro da eletrificação. “Foi um movimento natural”, justificou Bialkowski em entrevista.

Apesar do entusiasmo da rede, os números de vendas ainda não acompanham o ritmo da expansão. Até agosto, a BYD emplacou menos de 8.600 veículos na Alemanha, e apenas 12% das unidades foram registradas por consumidores finais. A maior parte foi destinada a frotistas e locadoras, um dado que levanta dúvidas sobre a sustentabilidade da estratégia.

Mesmo assim, a fabricante mostra resultados expressivos em nível europeu. No primeiro semestre de 2025, as vendas da BYD cresceram 251% em comparação ao ano anterior, enquanto o mercado da União Europeia como um todo registrou queda de 0,7%. Hoje, a marca já responde por 1,1% dos novos registros no bloco, contra apenas 0,4% em 2024.

Concessionárias da Stellantis na Alemanha trocam bandeira pela BYD
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Há, no entanto, obstáculos no caminho. A União Europeia elevou tarifas para carros chineses, e a BYD agora paga um adicional de 17% sobre os 10% já existentes. Rivais como a SAIC enfrentam taxas ainda maiores, de até 35%, enquanto a Tesla, que também fabrica na China, arca com apenas 7,8%.

Enquanto o mercado observa com cautela, a marca não esconde a ambição. Para Davino, o objetivo é alcançar 50 mil unidades vendidas por ano apenas na Alemanha e consolidar a BYD como uma protagonista no cenário europeu. O primeiro modelo a sair da fábrica húngara será o Dolphin Surf, mas a expectativa é de que a linha seja diversificada rapidamente.

Resta agora saber se o consumidor alemão, tradicionalmente fiel às marcas locais, aceitará de fato os elétricos chineses. A expansão pode parecer arriscada, mas a BYD aposta no tempo, na escala e na mudança de hábitos para transformar esse desafio em um trunfo.

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