Resumo da Notícia
O início de 2026 trouxe um velho conhecido de volta ao centro do debate econômico: o preço dos combustíveis. Logo nos primeiros dias do ano, motoristas e famílias sentiram no bolso o efeito de mudanças tributárias que atravessam toda a cadeia de consumo e ajudam a explicar por que abastecer — ou cozinhar — ficou mais caro no país.
Desde 1º de janeiro, passou a valer em todo o Brasil o reajuste do ICMS sobre gasolina, diesel e gás de cozinha. A decisão foi tomada ainda em setembro do ano passado pelo Conselho Nacional de Política Fazendária, que reúne os secretários de Fazenda dos estados e do Distrito Federal, e segue um modelo de cobrança com valor fixo por litro ou quilo.

Na prática, a alíquota da gasolina subiu dez centavos e chegou a R$ 1,57 por litro, enquanto o diesel teve aumento de cinco centavos, para R$ 1,17. No caso do gás de cozinha, o imposto passou para R$ 1,47 por quilo, o que representa um acréscimo que pode superar um real por botijão de 13 quilos.
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Este é o segundo ano seguido de alta no ICMS dos combustíveis. Em 2025, já havia ocorrido um ajuste semelhante, baseado na média de preços apurada pela Agência Nacional do Petróleo entre fevereiro e agosto, comparada ao mesmo período do ano anterior, metodologia que continua sendo adotada.
Segundo o Comsefaz, o reajuste busca corrigir perdas bilionárias de arrecadação acumuladas pelos estados desde a mudança na legislação em 2022. O comitê também critica o modelo atual por limitar a autonomia estadual e, paradoxalmente, estimular o consumo de combustíveis fósseis em um cenário de transição energética.
Os números ajudam a dimensionar o impacto. Hoje, o ICMS responde por cerca de 24% do preço da gasolina, 18% do diesel e 16% do GLP. Mesmo com reduções promovidas pela Petrobras ao longo de 2025, o preço médio da gasolina subiu no ano, enquanto o diesel teve leve queda — movimento que agora tende a ser pressionado novamente pelo novo imposto.
