Resumo da Notícia
O Brasil tornou-se, pela primeira vez, o maior importador mundial de carros chineses. Entre janeiro e maio de 2026, as compras brasileiras alcançaram US$ 5,2 bilhões, colocando o país à frente de mercados como Rússia, Bélgica, Reino Unido e Austrália.
A liderança diz respeito ao valor dos automóveis exportados pela China para cada destino — e não ao mercado mundial de importação de veículos de todas as origens. Dentro do total brasileiro, aproximadamente US$ 4,5 bilhões vieram de carros elétricos e híbridos.
O avanço foi expressivo em relação ao mesmo intervalo de 2025, quando o Brasil havia importado US$ 2,1 bilhões em automóveis chineses e ocupava a sexta posição no ranking.
Os números consolidados da alfândega chinesa mostram que a diferença entre Brasil e Rússia foi de cerca de US$ 200 milhões nos cinco primeiros meses do ano.
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| Posição | País | Importações de carros chineses |
|---|---|---|
| 1º | Brasil | US$ 5,2 bilhões |
| 2º | Rússia | US$ 5 bilhões |
| 3º | Bélgica | US$ 3,8 bilhões |
| 4º | Reino Unido | US$ 3,8 bilhões |
| 5º | Austrália | US$ 3 bilhões |
O resultado brasileiro foi impulsionado principalmente pelos veículos eletrificados, que concentraram quase 87% do valor importado no período.
Eletrificados somam US$ 5,35 bilhões no semestre
Em um recorte diferente, abrangendo todo o primeiro semestre, levantamento do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) aponta que as importações brasileiras de veículos eletrificados chineses chegaram a US$ 5,35 bilhões.
Esse número não significa que o Brasil permaneceu na liderança global em junho, pois o ranking internacional disponível cobre somente janeiro a maio. O dado do CEBC mede especificamente as compras brasileiras de elétricos e híbridos durante os seis primeiros meses do ano.
Os híbridos plug-in responderam por US$ 2,79 bilhões, mais que o dobro do registrado no mesmo período de 2025. Os automóveis totalmente elétricos chegaram a aproximadamente US$ 2 bilhões, valor quase quatro vezes maior.
Os híbridos convencionais, por sua vez, apresentaram crescimento de 239% no valor importado. A categoria passou da 25ª para a sexta colocação entre os principais produtos comprados pelo Brasil da China.
Somadas, as três categorias movimentaram aproximadamente o dobro de tudo o que o Brasil importou da França no período, estimado em US$ 2,6 bilhões. Segundo o CEBC, os automóveis chineses representaram cerca de 15% do valor total das importações brasileiras provenientes da China.
Tarifa de 35% estimulou antecipação das compras
Parte do crescimento está relacionada à antecipação de embarques antes da mudança no Imposto de Importação. Importadores aceleraram as compras para formar estoques enquanto ainda vigoravam alíquotas entre 25% e 30%, dependendo da tecnologia do veículo.
De acordo com a decisão oficial do Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior, os automóveis eletrificados montados e os modelos semidesmontados, conhecidos pela sigla SKD, passaram a recolher 35% de Imposto de Importação em julho de 2026.
Para os veículos completamente desmontados, chamados de CKD, a alíquota de 35% entrará em vigor em 1º de janeiro de 2027. A Camex também autorizou uma cota temporária de importação com imposto zero para modelos CKD e SKD, limitada a US$ 463 milhões durante seis meses. Carros importados completamente montados ficaram fora dessa cota.
Barreiras nos Estados Unidos e na Europa influenciam mercado
O aumento das vendas ao Brasil também ocorre em um momento no qual os carros elétricos chineses enfrentam barreiras comerciais em mercados desenvolvidos.
Nos Estados Unidos, a tarifa aplicada aos elétricos procedentes da China foi elevada para 100%, conforme decisão do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos.
A União Europeia mantém tarifas compensatórias que variam de 7,8% a 35,3%, dependendo do fabricante e do grau de colaboração com a investigação conduzida pelo bloco. A medida foi adotada após a Comissão Europeia concluir que a cadeia chinesa de veículos elétricos recebia subsídios capazes de prejudicar a indústria europeia.
Essas restrições reduziram a atratividade de mercados tradicionais e contribuíram para que fabricantes chineses ampliassem sua presença em países como o Brasil. O resultado brasileiro, entretanto, também está ligado ao crescimento da procura interna e ao calendário de aumento das tarifas nacionais.
O que pode acontecer no segundo semestre
A cobrança de 35% sobre carros montados pode reduzir o ritmo das importações durante o segundo semestre, especialmente depois da formação antecipada de estoques. Isso não significa necessariamente uma queda imediata nas vendas ou um aumento automático dos preços.
O efeito para o consumidor dependerá do tamanho dos estoques disponíveis, do câmbio, das estratégias comerciais adotadas pelas montadoras e do avanço da produção local.
Mesmo com uma possível acomodação dos embarques, o volume acumulado no primeiro semestre deixa os automóveis chineses em posição relevante no mercado brasileiro em 2026.
