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Brasil supera Rússia e vira maior importador mundial de carros chineses

Os eletrificados responderam por US$ 4,5 bilhões, em meio à antecipação de importações antes da tarifa de 35%.
Versão básica do BYD Dolphin 2027 ganha motor mais potente de 177 cv
Foto: BYD/Divulgação

Resumo da Notícia

  • O Brasil tornou-se o maior importador mundial de carros chineses entre janeiro e maio de 2026, com compras de US$ 5,2 bilhões.
  • Veículos eletrificados (elétricos e híbridos) representaram a maior parte das importações, totalizando US$ 4,5 bilhões no período.
  • A antecipação de compras por parte dos importadores visou evitar a nova alíquota de 35% do Imposto de Importação, vigente desde julho de 2026.
  • Barreiras comerciais impostas pelos EUA e pela União Europeia aos elétricos chineses contribuíram para o redirecionamento das exportações da China para o mercado brasileiro.
  • O Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) aponta que os automóveis chineses já representam cerca de 15% do valor total das importações brasileiras vindas da China.

O Brasil tornou-se, pela primeira vez, o maior importador mundial de carros chineses. Entre janeiro e maio de 2026, as compras brasileiras alcançaram US$ 5,2 bilhões, colocando o país à frente de mercados como Rússia, Bélgica, Reino Unido e Austrália.

A liderança diz respeito ao valor dos automóveis exportados pela China para cada destino — e não ao mercado mundial de importação de veículos de todas as origens. Dentro do total brasileiro, aproximadamente US$ 4,5 bilhões vieram de carros elétricos e híbridos.

O avanço foi expressivo em relação ao mesmo intervalo de 2025, quando o Brasil havia importado US$ 2,1 bilhões em automóveis chineses e ocupava a sexta posição no ranking.

Os números consolidados da alfândega chinesa mostram que a diferença entre Brasil e Rússia foi de cerca de US$ 200 milhões nos cinco primeiros meses do ano.

PosiçãoPaísImportações de carros chineses
BrasilUS$ 5,2 bilhões
RússiaUS$ 5 bilhões
BélgicaUS$ 3,8 bilhões
Reino UnidoUS$ 3,8 bilhões
AustráliaUS$ 3 bilhões

O resultado brasileiro foi impulsionado principalmente pelos veículos eletrificados, que concentraram quase 87% do valor importado no período.

Eletrificados somam US$ 5,35 bilhões no semestre

Em um recorte diferente, abrangendo todo o primeiro semestre, levantamento do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) aponta que as importações brasileiras de veículos eletrificados chineses chegaram a US$ 5,35 bilhões.

Esse número não significa que o Brasil permaneceu na liderança global em junho, pois o ranking internacional disponível cobre somente janeiro a maio. O dado do CEBC mede especificamente as compras brasileiras de elétricos e híbridos durante os seis primeiros meses do ano.

Os híbridos plug-in responderam por US$ 2,79 bilhões, mais que o dobro do registrado no mesmo período de 2025. Os automóveis totalmente elétricos chegaram a aproximadamente US$ 2 bilhões, valor quase quatro vezes maior.

Os híbridos convencionais, por sua vez, apresentaram crescimento de 239% no valor importado. A categoria passou da 25ª para a sexta colocação entre os principais produtos comprados pelo Brasil da China.

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Somadas, as três categorias movimentaram aproximadamente o dobro de tudo o que o Brasil importou da França no período, estimado em US$ 2,6 bilhões. Segundo o CEBC, os automóveis chineses representaram cerca de 15% do valor total das importações brasileiras provenientes da China.

Tarifa de 35% estimulou antecipação das compras

Parte do crescimento está relacionada à antecipação de embarques antes da mudança no Imposto de Importação. Importadores aceleraram as compras para formar estoques enquanto ainda vigoravam alíquotas entre 25% e 30%, dependendo da tecnologia do veículo.

De acordo com a decisão oficial do Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior, os automóveis eletrificados montados e os modelos semidesmontados, conhecidos pela sigla SKD, passaram a recolher 35% de Imposto de Importação em julho de 2026.

Para os veículos completamente desmontados, chamados de CKD, a alíquota de 35% entrará em vigor em 1º de janeiro de 2027. A Camex também autorizou uma cota temporária de importação com imposto zero para modelos CKD e SKD, limitada a US$ 463 milhões durante seis meses. Carros importados completamente montados ficaram fora dessa cota.

Barreiras nos Estados Unidos e na Europa influenciam mercado

O aumento das vendas ao Brasil também ocorre em um momento no qual os carros elétricos chineses enfrentam barreiras comerciais em mercados desenvolvidos.

Nos Estados Unidos, a tarifa aplicada aos elétricos procedentes da China foi elevada para 100%, conforme decisão do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos.

A União Europeia mantém tarifas compensatórias que variam de 7,8% a 35,3%, dependendo do fabricante e do grau de colaboração com a investigação conduzida pelo bloco. A medida foi adotada após a Comissão Europeia concluir que a cadeia chinesa de veículos elétricos recebia subsídios capazes de prejudicar a indústria europeia.

Essas restrições reduziram a atratividade de mercados tradicionais e contribuíram para que fabricantes chineses ampliassem sua presença em países como o Brasil. O resultado brasileiro, entretanto, também está ligado ao crescimento da procura interna e ao calendário de aumento das tarifas nacionais.

O que pode acontecer no segundo semestre

A cobrança de 35% sobre carros montados pode reduzir o ritmo das importações durante o segundo semestre, especialmente depois da formação antecipada de estoques. Isso não significa necessariamente uma queda imediata nas vendas ou um aumento automático dos preços.

O efeito para o consumidor dependerá do tamanho dos estoques disponíveis, do câmbio, das estratégias comerciais adotadas pelas montadoras e do avanço da produção local.

Mesmo com uma possível acomodação dos embarques, o volume acumulado no primeiro semestre deixa os automóveis chineses em posição relevante no mercado brasileiro em 2026.

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