Resumo da Notícia
A China decidiu puxar o freio de mão no design automotivo em nome da segurança. O país, maior mercado de carros do mundo, está revendo soluções que viraram símbolo da era elétricas e deixando claro que estética e eficiência não podem se sobrepor à vida humana. O alvo da vez são as maçanetas totalmente eletrônicas e retráteis.
A partir de 1º de janeiro de 2027, veículos novos vendidos no país não poderão depender exclusivamente de sistemas elétricos para abrir as portas. A nova regra, do Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação, exige mecanismos mecânicos internos e externos capazes de funcionar mesmo com falha total de energia.

A decisão nasce de acidentes reais e repetidos. Em colisões, incêndios ou alagamentos, o corte de energia impediu que maçanetas “saltassem” para fora, deixando ocupantes presos e equipes de resgate sem acesso rápido. Em alguns casos, a dificuldade para abrir as portas teve desfecho fatal.
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O episódio mais emblemático ocorreu em Chengdu, envolvendo um Xiaomi SU7 Ultra. Após a batida, testemunhas não conseguiram abrir as portas, que dependiam apenas de acionamento eletrônico. O caso acelerou um debate que já vinha ganhando força desde 2024, inclusive por falhas em frio intenso.
Na prática, a norma não elimina o design embutido, mas impõe limites claros. Maçanetas integradas à carroceria continuam permitidas desde que possam ser abertas manualmente, sem sensores ou motores. O critério central passa a ser a funcionalidade independente da eletrônica.
Estudos citados por reguladores reforçaram a mudança: em impactos laterais, maçanetas elétricas funcionam em cerca de 67% dos casos, contra 98% dos sistemas mecânicos. O ganho aerodinâmico, estimado em 0,6 kWh a cada 100 km, foi considerado irrelevante diante do risco.
Embora a regra valha apenas para a China, seus efeitos devem cruzar fronteiras. Com marcas como Tesla, BYD, BMW, Mercedes, Audi e Nio fortemente expostas ao mercado chinês, a tendência é a padronização global. Inclusive no Brasil, onde o visual limpo pode dar lugar a soluções mais discretas — e muito mais seguras.
